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“Familygate” à portuguesa

Na edição de 5 de Abril, lemos uma crónica de Luzia Rocha sobre o “familygate”. Não podíamos estar mais de acordo com o que ela escreveu: “As nomeações de familiares para cargos governativos têm causado muitos comentários na imprensa nacional e agora, também, em jornais estrangeiros, como é o caso do El País, em Espanha. Não é uma prática nova, mas está a tornar-se cada vez mais descarada e abusiva.” Permitimo-nos acrescentar que além do diário madrileno, diversos meios de comunicação internacionais puseram em destaque o elevadíssimo nível de nepotismo/familismo no governo socialista. Em fins de 2017, já tínhamos publicado “Em nome da família”. Logo no primeiro parágrafo desse apontamento opinávamos que “a partidocracia cleptocrática é o Olimpo do nepotismo”.

Em Portugal, a densidade de chico-espertos por metro quadro é digna de admiração e, como gosta de perorar o presidente Faz-Tudo, “os portugueses são os melhores”. Será essa a origem dos numerosíssimos casos de nepotismo/familismo e do estrago que tais irregularidades fazem na imagem da nação?

Se chico-espertos deste estilo abundam no retângulo lusitano, forçoso também é reconhecer que existe uma boa percentagem de pacóvios que votam sem pensar. Por vezes, tentamos analisar a etiologia deste fenómeno. Hoje, recorremos a Borges Simão que inicia uma coluna com a seguinte citação: “A estupidez humana é uma das forças mais importantes da História mas costumamos desvalorizá-la”. Quiçá tenhamos aqui uma pista que leve à explicação.

Assim, propomos o seguinte tema para uma dissertação: “Imagine-se que uma solução para reanimar a moralidade politica portuguesa seria tributar a estupidez humana. Um maná totalmente livre e em fluxo constante, cuja taxa aplicada a cada indivíduo poderia ser calculada sem quaisquer intervenções familiares ou estatais”.

As contribuições de cada cidadão fariam avançar o debate que agora abrimos em formato “copiar e colar”. Qualquer pessoa, independentemente da orientação sexual, idade ou condição socioeconómica, poderia participar nesta reflexão. Desde a mais “inteligente” até à mais “ignorante”.

Ah! Quase esquecíamos de salientar o que o ministro Centeno afirmou numa entrevista dada ao “Financial Times”: não houve uma enorme viragem da austeridade, o governo socialista fez mudanças, mas “não foram grandes mudanças”. Aqui temos mais um chico-esperto a pensar que somos todos palermas. É evidente.

Victor Pereira da Rosa

 

 

 

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