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Queriam um Portugal como a Albânia

Uns leitores não se importam, outros não quererão saber. Quanto a nós, gostamos de ir verificar “in loco” o fim de tantas patranhas que nos tentaram meter na cabeça. Embora não faltem panegíricos sobre Cuba ou a Venezuela, não há nada como ir ver com os próprios olhos. Com esse objetivo, fomos duas semanas para os Balcãs. Queríamos rever amigos na Sérvia, revisitar a Macedónia, passar por Montenegro e observar o processo de transformação da Albânia que foi a ditadura mais implacável e isolada da Europa do Leste, a última a libertar-se de um passado de atrocidades e caos.

Será que os portugueses se esqueceram do tenebroso Enver Hoxha? Com mais um 25 de Abril à porta, resolvemos examinar como passarões da fauna lusitana defendiam sem corar esse ditador. O homem não era melhor do que o Estaline, seu aliado, ou Mussolini, contra quem se bateu. Um maoista em versão balcânica. Não olvidámos que um dos líderes do MRPP se metamorfoseou em chefe do PSD, chegou a primeiro-ministro e, mais tarde, foi presidente da Comissão Europeia e “chairman” da Goldman Sachs. Há muitos políticos como ele, cujo passado não é relembrado e até parece que os eleitores gostam desta gente.

Noutra ocasião, referimo-nos ao que vimos no Camboja onde os Khmeres Vermelhos e o camarada Pol Pot exterminaram quase dois milhões de compatriotas, cerca de um quarto da população. Desta vez, decidimos fazer uma visita de estudo à Albânia para ver o legado de Hoxha, o dirigente incontestado de um regime que rejeitou as reformas de Khrushchev para se aliar à China de Mao Zedong e que governou combinando a brutidade estalinista à paranóia maoista. Sublinhe-se que foi uma figura das mais admiradas por alguns executantes da Revolução dos Cravos.

Portugal teve a sorte de esta facção da extrema-esquerda não ter implantado um regime semelhante. Os órfãos de Hoxha são estruturalmente antidemocráticos. Agora no poder, até deixaram de fazer cócegas à casta das “famiglie” dominantes. Comensalidade no governo “oblige”!

Quiçá devido ao sangue capitalista que flui nas veias deste antigo “paraíso” maoista, não encontrámos interlocutores que não expressassem a desilusão com o estatismo e o coletivismo. Os albaneses com talento emigraram e os intelectuais foram também tratar da vida em Paris ou Roma. Tem-se a sensação de estar num país medieval, com o futuro bloqueado e sem qualquer escapatória. Do que se safaram os portugueses!

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