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Do sofrimento à glória

No Domingo de Ramos sobressaem dois momentos: 1 – a procissão dos Ramos para aclamar triunfalmente a entrada de Jesus em Jerusalém; 2 – a leitura da paixão. Conjuga, portanto, as duas faces do mistério de Cristo: o sofrimento angustiante da sua paixão e morte; e a aclamação entusiasta da sua vitória sobre a morte. Nós cristãos vivemos, ainda hoje, estes acontecimentos culminantes da vida de Jesus, unindo-nos às crianças e aos discípulos de Jerusalém na aclamação ao Senhor: “Hosana ao Filho de David”; e meditando no mistério da cruz pela escuta atenta do relato da paixão. Assim nos preparamos para viver a glória da Ressurreição. É uma das celebrações espiritualmente mais ricas na vida dos cristãos. Com esta celebração damos início à Semana Santa ou Semana Maior em que podemos participar e interiorizar o essencial do mistério de Jesus, acompanhando-O na sua paixão e morte vividas à luz da ressurreição. É na esperança da ressurreição que celebramos a paixão. Como cremos, o Senhor assumiu voluntariamente o sofrimento humano, carregou a cruz da ignomínia, partilhou a angústia da morte para nos livrar da morte eterna e alcançar para todos a vida nova da ressurreição. Por isso, aclamamo-Lo com alegria e acompanhamo-lo na sua paixão. A Páscoa marca realmente a nossa espiritualidade de peregrinos que se alegram por caminhar para o Santuário enfrentando com coragem os sofrimentos do caminho. Assim confessamos: “Anunciamos Senhor a Vossa Morte; proclamamos a Vossa Ressurreição; vinde Senhor Jesus”. As leituras litúrgicas da missa de Ramos ajudam-nos a entender à luz da fé o mistério da paixão. Foi o próprio Jesus que, voluntariamente, se entregou, se despojou e assumiu a nossa cruz em profunda e total solidariedade com a nossa condição de fragilidade e de pecado para nos redimir. Como diz o evangelho da paixão: “Eu estou no meio de vós como quem serve” (Lc 22, 27). O drama da cruz parece, na perspetiva humana, ser um abandono de Deus: “Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonaste?”. Tanta gente faz, em todos os tempos, esta experiência dolorosa. Mas, no mesmo salmo, encontramos outra perspetiva: “Mas Vós Senhor não vos afasteis de mim, sois a minha força, apressai-vos a socorrer-me”. Porque se entregou nas mãos do Pai numa atitude de total confiança, Deus O exaltou e toda a língua proclama que Jesus é o Senhor (cf II leitura). “O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo para que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos” exclama Isaías na primeira leitura. A paixão de Jesus prolonga-se na paixão de muitas pessoas abatidas pelo peso da cruz. Como discípulos, aprendamos a dar uma palavra de alento e um gesto de ajuda a todos os sofredores.

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