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Tecnologia com equilíbrio e saúde

Sou da época dos telefones em que marcava os números girando o dedo e das cassetes em que para retroceder rodava com uma caneta. Só depois veio o discman e mais tarde o mp3, que permitia guardar algumas músicas. O acesso à internet era restrito e os computadores eram enormes. Para encontrar o caminho certo usávamos os mapas físicos, depois vieram os aparelhos de GPS.

Hoje tudo isto está na palma das nossas mãos, todos estes aparelhos e outros como a calculadora, agenda de contatos, e-mail, home banking, chats de conversação, filmes, futebol, TV e muito mais, estão acessíveis a qualquer hora com uma facilidade enorme e num custo bem menor. Mas toda esta facilidade que se foi implementado muito rapidamente – afinal descrevi acontecimentos de há 20 anos para cá – está a fazer-nos ficar dependentes e viciados nestas comodidades. Quando acabam as baterias, como nos sentimos? Sentimento de vazio? O que fazer quando os aparelhos se desligam? É preciso balancear muito bem esta utilização e estar sempre atentos ao que fazemos “quando as luzes se apagam”. Estamos a manter a nossa vida social? A nossa atividade física? Conversamos cara a cara? Estamos a guardar tempo para estar de verdade com as pessoas? Não é à toa que recentemente, a OMS incluiu na sua lista de preocupações graves o vício por jogos. É preciso voltar os olhares para este tema e analisar como a tecnologia tem sido utilizada pelos mais pequenos. Na que toca a crianças e adolescentes, tenho notado muita dificuldade dos pais em estabelecer limites para o uso da tecnologia. Nós que não nascemos com esta ferramenta já nas mãos, temos talvez um pouco mais de controle, mas imagine como deve ser difícil para uma criança ou adolescente que nasce no meio de fotos e publicações nas redes sociais, imaginar o mundo sem isso? Por isso muitos destes limites deveriam ser colocados pelos pais. Esse tipo de presença no mundo virtual dá mais segurança a quem utiliza, faz com que as pessoas realizem desejos e fantasias através de um mundo que é real, mas não palpável. Dessa forma, o cérebro entende o prazer gerado pelo mundo virtual como algo real, e assim a pessoa vai-se viciando nessa boa sensação de realização através das redes.
A tecnologia é maravilhosa, e tem proporcionado avanços incontornáveis. Tanto na área da medicina, segurança, engenharia, como no dia a dia. Mas podemos todos fazer mais para que se possam aproveitar as maravilhas de tocar num ecrã, mas também as maravilhas de visitar e brincar um primo ou amigo. O limite é o que nos dá a medida do equilíbrio, e o equilíbrio é o que nos dá a medida da saúde, então vamos pensar em como oferecer as tecnologias de forma saudável aos nossos filhos e também oferecer formas de interação real que eles se calhar até desconhecem.

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