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O civismo começa em casa

Somos um povo solidário. Disso não há a menor dúvida. Podemos ter um salário baixo mas há sempre uma moeda para dar a alguém ou a uma causa de força maior que nos abala o nosso coração. No entanto também somos um povo com falta de civismo em termos gerais. Pensamos muito em nós mesmos, no nosso bem-estar e o resto não importa. Vivemos em comunidade mas é só o bom-dia e a boa-tarde que trocamos. Quando alguém precisa de ajuda não há aquele braço amigo, aquela palavra reconfortante. Sente-se a frieza e o abandono de quem proclama alto e bom som que está sempre ali ao lado. Mentira. Em casa tudo começa. A educação, a solidariedade, o amor e o civismo. Porque cuspimos no chão se o pudermos fazer para um lenço? Porque não fazemos a reciclagem do lixo se temos ecopontos? E este ponto aflige-me. Onde moro vejo algumas pessoas a atirarem sacos de plásticos cheios de lixo para os contentores mais antigos. Será que não podia fazer a reciclagem em casa e depois era só depositar as coisas nos ecopontos certos? Antes queixavam-se que não havia nada onde se pudesse fazer a reciclagem. Agora desperdiçam. Outra falta de civismo que tenho de apontar mais uma vez são os donos dos cães que ao invés de levarem um saco para apanharem os seus dejetos não o fazem. Outros soltam os patudos e deixam-nos andar livremente na rua onde se aliviam em qualquer lugar. Todos os dias, alguém limpa e torna a limpar e se chamarmos a atenção ainda somos mal interpretados. Quem sabe se da próxima vez não depositaremos o presente à porta dos seus donos?
Ainda agora a primavera começou e já o inferno dos incêndios se faz sentir em alguns distritos. O civismo da parte do Governo é zero, pois as leis protegem os gatunos. Queremos fazer uma caminhada ou um pic-nic e no meio da floresta encontramos todo o tipo de lixo doméstico: sofás, lavatórios, mesas, roupas, papéis e demais coisas que podiam ser entregues em alguma instituição para serem restauradas. Mas não. Para muita gente o que é velho e sujo deita-se fora. O respeito pelo meio ambiente e por cada pessoa perdeu-se. Por isso quem faz a diferença sobrevive nesta selva imunda que por vezes parece um pesadelo irreal.

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