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1925 – O Declínio da 1ª República Portuguesa

Os problemas políticos nacionais, no segundo semestre de 1924, agudizam-se. Interessa-nos sobretudo a cisão, no Partido Democrático, em que a ala radical, dirigida por José Domingues dos Santos, se desvincula da política do governo democrático de Alfredo Rodrigues Gaspar, obrigando-o, por derrotado no Parlamento, a demitir-se. O presidente da república Manuel Teixeira Gomes, nomeia Domingues dos Santos primeiro ministro, sem apoio da ala moderada do PRP(22/11/1924-15/2/1925) Mas a sua gestão «vai conquistar o apoio eleitoral do proletariado e repor sob a sua direcção  o bloco social que estava na origem da República»(Telo, António José, Decadência e Queda da 1ª República Portuguesa, 1º vol.,pg346). Assenta logo em janeiro em dois projectos, regulamentação da acção bancária e da reforma agrária, que levam à oposição imediata da Comércio e Indústria e da Banca. Aprovado o segundo projecto,  em Fevereiro manda encerrar a Associação Comercial de Lisboa, por  desobediência à lei. O país divide-se em dois blocos: dum lado, a esquerda democrática, os apoiantes de Álvaro de Castro, a maioria dos republicanos independentes. Do lado oposto, a banca, o comércio e a indústria, o partido Nacionalista, os monárquicos,o Centro Católico, a ala direita do partido democrático. Contra também, mas à esquerda, por verificarem que a política do governo, centrada no embaratecimento dos géneros de primeira qualidade, saneamento de serviços, fomento de obras do Estado, libertação dos grevistas presos e reconhecimento legal da CGT (Confederação Geral do Trabalho (anarquista), ia buscar apoiantes  aos seus meios de influência, prejudicando-lhes as directivas, a CGT e o PRR (Partido Republicano Radical)(Idem, 347). O governo que vai acelerar o seu radicalismo, procurando apoiar-se na rua. Em Fevereiro as forças operárias, ante a ameaça da acção militar, unem-se para apoiar o governo. A 5,6 e 8 de fevereiro realizam-se grandes manifestações unitárias a favor dum governo que enfrenta de forma decidida as chamadas forças vivas da nação. O facçao intermédia do PRP, que apoiara José Domingues dos Santos, assustada com a possibilidade do poder assentar na rua e com medo duma possível ruptura com a democracia burguesa, vira à direita e, através duma moção de confiança, faz, a 11, cair o governo. Ainda a 12, há uma mobilização popular de apoio ao governo, de forma a impedir a sua demissão, uma das maiores da 1ª república, que juntou cerca de 80.000 pessoas, que se dirigiu do Terreiro do Paço a Belém.(Id, ibid, 357).Mas o presidente decide pelo constitucionalismo.  As pressões dos interesses quebraram a espinha do radicalismo. Um novo governo do Partido Democrático, chefiado por Vitorino Guimarães toma posse (15/1/1925-1/7/1925).

A República entra em agonia. A indiferença e o desinteresse popular pela sua defesa geram o abstencionismo, que permite, a 5/3 e a 18/4, as tentativas militares de implantação da ditadura, na sequência das revoluções espanhola de Primo de Rivera e italiana de Mussolini.

Sobre estes acontecimentos informava O Almonda nas suas páginas.

A 29/11/1924 regista  a composição do governo de José Domingos dos Santos (O Almonda nº280,29/11). A 27 do mês seguinte, notifica a tomada de posse do novo administrador, Gabriel Medina Camacho, estando presentes figuras do PRP moderado e de direita, como o Major Moreira, o capitão Viera,  Manuel Vieira Borga, entre outros.(Id, nº 284,27/12). A situação local do partido correspondia à divisão nacional, a tal ponto que a 12 , o capitão José Moreira , em sua casa, reúne com a facção moderada para «organizar o novo PRP»)Id, nº284, 27/12).

Situação que vai conduzir à divisão concelhia do partido. Um manifesto, assinado por 30 nomes, é distribuído pelo concelho, informa em pequena notícia o semanário: « Assinado por trinta nomes de elementos filiados no Partido Republicano Portuguez , foi distribuído profusamente um manifesto, em que expõem os motivos  da sua divergencia com o directorio que eles acusam de ter abertamente hostilizado a opinião dos organismos dirigentes do partido democrático neste concelho.Para responder a esta hostilidade propõem que como um-acto de desafronta- os elementos democráticos deviam votar no Dr. Antonio Pinto, no próximo acto eleitoral independente de quaisquer outras combinações» (Idem, 287, 17/1/1925).

Tal abaixo assinado merece um esclarecimento do Major José de Sousa Moreira , publicado a 24 de janeiro. em que, como presidente da Comissão Municipal do Partido Republicano Português, pede rectificação do que o jornal publicara, «porque nenhum dos signatários do aludido manifesto está filiado no Partido Republicano Português … há muito tempo desfiliaram-se… »(Id, nº288, 24/1). Em Novembro desse ano, como veremos, os dissidentes derrotaram eleitoralmente a direita democrática do Major José de Sousa Moreira.

Também, nesse mês de janeiro, e integrado na agitação  do sector operário, é publicado um comunicado, Horas Sinistras, a que o semanário responde, chamando a atenção para a pobreza e a falta de trabalho dos operários, a situação de fome de muitas famílias, mas defendendo a conciliação de classes, dentro do espírito do corporativismo cristão (Idem,nº287.17/1).

A fase agitada acaba, quando o semanário publica, em Fevereiro, na primeira página, a composição do novo governo democrático de Vitorino Guimarães».)Id, nº292, 21/2)

 

antoniomario45@gmail.com

artigo escrito segundo o antigo acordo ortográfico

 

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