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Planos furados e sábado enguiçado

Fez sol no sábado dia 9 de março? Fez sim senhor. Levava a agenda mentalmente organizada para não me esquecer de nada do que tinha de fazer. Na paragem do urbano, uma vizinha disse-me que eu estava pálida. Fui medir a tensão arterial. Estava baixa: nove de máxima e 6 de mínima. A farmacêutica aconselhou-me a ir ao hospital. Seriam umas 13 horas quando dei entrada. De seguida fui chamada à triagem. Contei o meu passado oncológico e toda a dificuldade que tenho em respirar e agora constipação, tosse seca, sem febre. Esperei na sala interior e passado um tempo fui atendida por uma doutora jovem e muito humana. Teria de fazer um raio x ao tórax e aos pulmões e análises ao sangue e à urina. Por volta das 18 horas, a doutora Diana foi até junto de mim e informou-me calmamente que teria de ir para o hospital de Abrantes fazer uma TAC. Havia um valor mais elevado que o normal. Se até ali até estava sossegada, caiu-me a ficha e chorei com medo que o pior me voltasse a atormentar. Chamaram a ambulância que só chegou mais ou menos 2 horas depois. Durante a viagem de solavancos agarrei-me à minha fé e à fotografia do meu pai que anda sempre comigo. Nos momentos mais difíceis a sua alma reconforta-me.

Chegamos por volta das oito e meia da noite. Fui de cadeira de rodas a precisar de ser substituída por uma nova. Deixaram-me no corredor onde uma corrente de ar me levou a pedir um cobertor a uma funcionária. Tapei-me da cabeça aos pés, qual fantasma louco e ali fiquei até me chamarem para fazer o exame. Resultado: não tinha nada dos pulmões mas trouxe uma carta para a minha médica de família me marcar uma consulta de pneumologia. Por volta da meia-noite e tal voltei para casa.

Apesar dos planos terem sido alterados e de passar toda a tarde de sábado nos hospitais deixo aqui o meu agradecimento de coração a todos os que me apoiaram no facebook; à família e amigos que me têm telefonado; à doutora Diana que foi muito sensível e atenciosa; à técnica do raio x; às funcionárias que estavam de serviço naquelas horas e também ao bombeiro e bombeira que me levaram.

No Hospital de Abrantes fui muito bem atendida. Não tenho nada a apontar negativamente. Desde o doutor David, a técnica Mariana, a funcionária Sónia e a enfermeira Ana foram todos bons profissionais; também a quem me foi buscar e me trouxe para casa.

Agora é hora de continuar a acreditar e a ter esperança que um dia volte a conseguir respirar um bocadinho melhor que agora consigo. Pois não tem sido fácil.

Madalena Monge

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