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O Essencial cristão

Quarta-feira de cinzas começa a quadra litúrgica da preparação da Páscoa que chamamos Quaresma por ter a duração aproximada de quarenta dias. É uma boa oportunidade para fortalecermos o essencial cristão que atualmente se apresenta muito obscurecido. Na opinião pública alimentada pela comunicação social são os aspetos negativos que são postos em relevo e se tornam motivo de desorientação. Sem negar a gravidade de tais factos, é necessário termos claro o que é essencial na fé cristã, o que lhe confere sentido e encanto apesar dos muitos pecados que possam existir na Igreja e no mundo.

O essencial do cristianismo é a Páscoa. A Quaresma só tem relevo na medida em que ajuda a descobrir e a viver a Páscoa. Então o que aconteceu de tão importante na Páscoa? São os próprios discípulos que o declaram: “Vimos o Senhor”. Aquele por quem tudo tinham deixado, que haviam presenciado pregado na cruz, julgando que tudo estava terminado, afinal estava vivo e vinha ao encontro deles. Primeiro foram Pedro e João que o disseram, depois Maria Madalena, a seguir também os dois discípulos de Emaús e, a culminar, a aparição aos onze reunidos. Todas estas experiências coincidiam: O Senhor estava vivo, havia vencido o mal e a morte. Algo de novo começava. Uma grande alegria e paz lhes inundava o coração. A vida vence a morte, a luz prevalece sobre as trevas, o bem triunfa sobre o mal. A ressurreição de Jesus dá-lhes a eles e a nós, a certeza de que a graça de Jesus vence o pecado por mais força que este tenha.

Como chegam a esta certeza? Como podemos nós hoje acreditar e participar nesta vitória de Jesus sobre o pecado do mundo? Os discípulos percorreram um longo caminho, assistiram a factos admiráveis, escutaram um ensinamento novo, passaram por dúvidas, aprenderam com as experiências vividas, converteram a sua forma de ver e de agir, foram descobrindo progressivamente o mistério de Jesus. Fizeram o caminho de discípulo, com disponibilidade e sacrifício. Despojaram- se de si mesmos, identificaram-se com o mestre. Mesmo assim não lhes foi fácil aderir à fé na ressurreição.

Ser cristão é ser discípulo. É pôr-se a caminho. Não é um estado adquirido de uma vez por todas, mas um processo laborioso de conversão. Leva à alegria e à paz mas por um percurso que passa pelo despojamento, pela purificação e pelo crescimento na sabedoria e na santidade. O discípulo aprende com o mestre, procura ser perfeito como Ele, caminha na sua presença e amizade. Na realidade, os nossos fiéis situam-se noutra perspetiva. Muitos ainda consideram que, depois de realizar o batismo, fazer a primeira comunhão e “tirar o crisma” já estão prontos. Temos de lutar sem descanso contra esta mentalidade instalada e insistir no discípulo que caminha, progride, aprende sempre e dá fruto em todas as idades, também, na velhice.

Mas para alcançar este perfil e motivar alguém para fazer caminho é decisivo fazer a experiência pessoal de encontro com o Senhor Ressuscitado como aconteceu com os primeiros discípulos que acreditaram. Esta é a base que dá solidez ao caminho e ao desenvolvimento do percurso da fé. Ora muitos dos nossos fiéis não têm seguro este alicerce. Como oferecer-lhes esta oportunidade? Que itinerários de crescimento podemos propor-lhes? É para responder a esta preocupação que devemos criar um programa para a Quaresma e Páscoa.

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