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Os Legos não são só uma brincadeira

Por: Fábio Carvalho

Steve e Nate, de 42 e 29, são dois professores que não partilham apenas a paixão pelo ensino. O que também os une e os uniu foram os Legos. Ambos se conheceram numa convenção e agora são amigos inseparáveis, unidos pelos Legos. Sim, não são apenas as crianças que gostam de brincar com estes pequenos tijolos de construção. Ambos participaram numa competição televisiva chamada “Mestres do Lego” que juntou para além deles, amigos, várias equipas compostas por crianças, pais e filhos, tios e sobrinhos.

Os Legos são, hoje em dia, vistos por serem mais do que uma brincadeira e podem ter efeitos verdadeiramente terapêuticos.

Na verdade, este simples jogo de construção pode ajudar, inclusive, a externalizar o nosso sistema de emoções e crenças. Segundo uma especialista espanhola, as construções com LEGO estabelecem conexões em novos níveis. Ao começar a juntar as peças, a criatividade e a imaginação, junto com o trabalho manual, colocam em funcionamento processos mentais que permitem ao observador atingir um conhecimento mais profundo do indivíduo.

Para as crianças isto traz imensos benefícios. Começa por estimular a criatividade. Quando a criança está a construir qualquer coisa, faz o “desenho” na sua mente, usa o raciocínio de forma a saber quais as peças que ficam melhor, como devem ser organizadas e se a criação que estão a fazer será grande ou pequena. As frações e a divisão são aplicadas mesmo sem dar por isso. Do inteiro para a metade as crianças vão aprendendo as frações. A física e algumas habilidades de engenharia são outras vertentes desenvolvidas sem que se dê por isso. Ao construir uma torre ou uma ponte, a criança está a aprender a pensar em três dimensões, no peso, e nos apoios que tem de colocar para que a estrutura que quer montar não se desmorone. Construir Legos pode ajudá-las a estimular e a exteriorizar as suas emoções. Foi isso que aconteceu com Jack, de 11 anos, que entrou nesta competição com o seu tio. O Jack passou um período difícil da sua vida depois de ter sido diagnosticado à sua mãe cancro da mama.
Contou à mãe que foram os Legos que o ajudaram a ultrapassar este momento mais difícil. Era através dos Legos que o Jack mostrava as suas emoções. Mas não é só para as crianças que os Legos têm um grande impacto, que o diga o Professor Steve que olha para os Legos como mais do que um passatempo. Este professor sofre de ansiedade, e stressa-se com muita facilidade. Os Legos ajudam-no a ultrapassar isso. “Brincar com Lego ajuda-me muito a colocar as coisas em perspetiva. Toda a gente tem uma criança interior. Quanto mais tempo eu poder passar com a minha melhor.” Tem um quarto só para os Legos e a mulher não acha estranho este passatempo do marido. “É mais barato do que terapia”, contou. A título de curiosidade o Nate e o Steve ganharam a competição. Se não tiver nada que fazer, estiver farto de fazer scroll no Facebook, ou olhar para a televisão, solte a criança que há em si, não faz mal nenhum, vamos todos brincar com os Legos.
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