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Editorial

 Hoje, muitas formas de violência ameaçam a segurança e a paz.

 E se podemos dizer que o nosso país ainda é um país tranquilo e seguro em comparação com muitas outras regiões do mundo, os meios de comunicação ultimamente tem trazido à ribalta notícias que inquietam e que de certa forma desmentem sermos nós um país de brandos costumes.

 Entre essas formas de violência há uma que inquieta sobre maneira – a violência familiar contra as mulheres.

 Desde o princípio do ano mais de uma dezena de mulheres foram assassinadas. Mas para além desta violência notória, há uma outra camuflada que, em geral, não vem para a praça pública e que não produz efeitos visíveis e públicos e que ocorre escondida no seio da vida familiar.

 A família que devia ser um lugar de resistência às violências da vida, um lugar de acolhimento e de afectos, transforma-se muitas vezes num inferno.

 Há uma profunda desigualdade histórica entre mulher e homem em que este não quer prescindir do seu poder tradicional. A mulher é secundarizada tanto na vida familiar como no mundo do trabalho. É isto que denunciamos: a continuada discriminação da mulher. Assim, também aqui, os direitos humanos não passam de uma bela história. 

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