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Prazer e dinheiro

Neste planeta da globalização temos dois reis no mesmo trono e que se completam mutuamente. O dinheiro pode proporcionar prazer e o prazer pode proporcionar dinheiro.

Julgo que quase toda a Humanidade está bem dominada por estes dois reis e senhores, obedecendo-lhes cegamente. Mas como, embora tirânicos, nos dominam, teremos que lutar com todas as forças para nos servirmos deles e não eles servirem-se de nós. Mas se um se pode obter através do outro, falta-lhes um terceiro energúmeno para perfazer a trilogia: O PODER. Com este temos os três reis dos distraídos, de uma boa parte da humanidade e dos imbecis. Este só por si consegue ter os outros dois. Quem tem poder ou quem o conquista é por alguma razão pois facilmente arrebata os outros dois para si e assim domina os seus semelhantes e o mundo.

Claro que eu, como humano também desejo o prazer e o dinheiro sobretudo este último sem o qual a vida se torna muito difícil quando não impossível. Também não posso evitar o primeiro porque a minha natureza está formatada assim. A criancinha alimenta-se do leite de sua mãe porque sente prazer, o namorado ou a namorada dizem que se amam porque sentem prazer. Portanto, como temos que ter muito cuidado com certas coisas importantes nas nossas vidas, também temos que ter muito cuidado com os três tiranos e não podemos dar-lhe muita confiança porque às tantas teremos uma explosão que tudo destrói. É como se tivéssemos uma granada nas mãos se não soubéssemos guardá-la bem e bem condicionada.

Podem perguntar-me: mas então o poder, o dinheiro e o prazer não podem ser coisas boas? Podem e devem desde que seja com peso, conta e medida. De toda a maneira os dois mais destruidores dos seres humanos, enquanto seres morais e éticos, são o poder e o dinheiro. É na luta pelo poder que eu vejo consumirem-se mais os homens porque de facto ele dá livre-trânsito para os outros dois. Acho que ao longo da História humana foram sempre estes três que dominaram só que numas épocas mais que nas outras porque, quando outros valores importantes eram cultivados, estes três ficavam mais na sombra. Porque pela nossa experiência sabemos que quem tem o poder quer exercê-lo a seu belo prazer (ditadura), quem tem muito dinheiro quer ter sempre mais (avareza) e quem se embebeda no prazer cai no primeiro despenhadeiro que encontrar.

Só há um remédio: alimentarmos os outros valores humanos importantes para o nosso equilíbrio mental.

Borges Simão

 

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