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João Espanhol, este cantor da fraternidade

Os amigos sabiam que faltaria pouco tempo. Então, não é que se tinham quebrado tantos os laços e tu, assim, estavas como que perdido no caminho.

Primeiro foi a loja, depois partiu a Celina companheira de todas as horas, participante de todas as lutas e a filha estava longe. Não foi o cansaço ou a desistência, mas a vida tem um momento em que tudo chega ao fim.

Era ali na loja onde os amigos se encontravam na banalidade das conversas ou cúmplices nas críticas, esperando um tempo que tarda a vir, falando de um mundo de fraternidade e de um futuro de paz. Também foste um cantor da Esperança e esta nunca esmoreceu mesmo na noite mais triste.

Quando a vida nos congregava a todos e havia a celebração ou a festa, de súbito ouvia-se cantar “Grândola”. Olhávamos… um homem de baixa estatura, franzino, com uma voz que enchia a sala, congregava-nos a todos para o cântico e dizia-nos que o mundo estava ao nosso alcance envolvido na esperança de uma acção transformadora. Cantavas mais com o coração do que com a voz porque tinhas a certeza das tuas convicções.

Nunca foi o tempo de abdicares dos teus ideais. E nunca te rendeste nem desististe do sonho. A tua coerência é uma lição de vida para todos nós.

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