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A Construção da Avenida Marginal – O período Republicano (1922-1926)

Um dos equipamentos urbanos que ganhou forma em 1924 foi a Avenida Marginal. Segundo Joaquim Rodrigues Bicho (Pinceladas Torrejanas, 2ª ed. Avenida Marginal, fls. 145), a ideia de construção de duas avenidas na vila, teria sido da autoria do semanário. Sabe-se que as notícias sobre a Avenida Marginal surgem em 1922. Pela leitura do publicado, verifica-se: «3ª feira (22) – Presidente da Camara com o engenheiro Francisco Antunes a levantar a planta nos terrenos marginais do rio, que vão do Hospital da Santa Casa à ponte do Raro.» O objectivo era «fazer o estudo da avenida a ligar o Rocio do Carmo com o Jogo da Bola» (O Almonda nº 175, 26/11/1922). No ano seguinte, noticia que «na passada 4ª feira (1/2), Francisco Antunes, engenheiro da CP faz 0 levantamento da planta do Rio Almonda e dos terrenos marginais do Lado Norte, desde o Hospital até à Ponde do Raro» (Id., nº 183, 21/1/1923). Em Abril, insere a seguinte notícia: «Avenidas Novas – Senado municipal – 6ª feira (21), autorizou a compra de terrenos a expropriar para a Avenida marginal do Rio, tendo sido adquiridos por 40 contos os prédios da Sr.ª D. Maria de O. Tavares» (Id. Nº 196, 22/4). No mês seguinte, informa sobre a negociação dos «terrenos da Sr.ª Carolina Bretes para a Avenida Marginal» (Id, nº 200, 20/5). Em Julho, a Comissão Municipal já tem as plantas da avenida e encontram-se adiantados os trabalhos preliminares para o seu início (Id, nº 206, 1/7). A partir de Agosto, (nº 213, 19(8), o semanário apresenta-se com novos cabeçalho e formato, saindo aos domingos, daí a necessidade de nova contagem para os dias da semana). Só em Setembro, na secção De Relance, devido às dificuldades de acerto de contas com as donas dos terrenos, fala-se da decisão da câmara para a expropriação dos mesmos. (Id, nº 215, 2/9). Só no ano seguinte, surgem novas informação sobre a Avenida. Para a sua construção foi necessário libertar o terreno na posse de terceiros, com a Casa Bretes, «que assinou a escritura de venda… dos terrenos a expropriar» (id. nº 239, 17/2 /1924). Em Março, «a Camara dispensou cerca de 150 contos para a compra das propriedades das viúvas Tavares, Bretes e Velês, cedendo à Misericórdia outros terrenos em troca dos que lhe pertenciam, na margem do rio» (Idem, nº 245, 30/3). De novo, notícias em Maio: «Na 2ª feira passada, começou a ser demolido o muro da cerca do Hospital, dando assim início às obras da Avenida Marginal» (Idem, nº 251, 10/5). A 17 do mesmo mês, o semanário informa que a Avenida «já foi demarcada pelo engenheiro da CP Francisco Antunes» (Idem, nº 252, 17/5). A 22, a Comissão Administrativa aprova a arrematação, a 12 de Junho, da «nova Avenida entre o Rossio do Carmo e a estrada municipal das Lapas – terraplanagem, muros de suporte e viação e do colector geral de esgotos» (Actas, Lº 295, fls 76v). A 24, o semanário informa que começa na próxima 2ª feira (18) «a terraplanagem da avenida municipal» (Id, nº 253, 24/5), o que não corresponde à realidade, já que só em Junho, na sessão da Comissão Municipal de 12, a obra vai à praça, Não havendo concorrentes, marcando-se nova sessão para 19. (Actas, cit., fls. 79), onde a obra foi adjudicada. Em julho descreve que «foi deitado abaixo o muro do Jogo da Bola» (Id, nº 259, 5/7). A 12 desse mês, fica-se a saber que «continuam com grande actividade os trabalhos de terraplanagem» e já há projectos para as casas aí a construir da autoria do arquitecto Henrique de Campos« (Idem, nº 260, 12/7). Em Outubro a terraplanagem da avenida encontrava-se concluída (Id, 272, 4/10). Em Novembro, os trabalhos são interrompidos, para conclusão dos canos de esgoto (id. 280). O semanário só regressa ao assunto da Avenida em Março do ano seguinte, quando noticia o recomeço das obras (Id. 296, 28/3/1925), mas que, em ano de crise e convulsões sociais e políticas várias, pouco se desenvolvem, como se relata em Setembro (Id, nº 322, 26/9). A ideia de que os terrenos eram difíceis para a construção e a zona muito insalubre, fez parar a construção da Avenida, só se construindo a primeira casa em 1926 (id, nº 396, 18/12). Deve-se a Joaquim Rodrigues Bicho, na obra atrás citada, além de Artur Gonçalves (Mosaico Torrejano Roteiro da Vila de Torres Novas, 482), o estudo mais pormenorizado sobre a construção da Avenida, que foi reiniciada em 1932, com alterações diversas, vindo só a ser inaugurada em 5 de Maio de 1935, pelo então ministro da Agricultura, Dr. Rafael Duque (Bicho, ob. cit., 145/152; Gonçalves, ob. cit, 482). A fotografia utilizada para ilustração deste artigo já apresenta construído o Colégio de Andrade Corvo, inaugurado em 10 de Abril de 1834, tendo começado nesse ano a sua actividade lectiva. (Gonçalves, ob. cit., 482).

antoniomario45@gmail.com

O autor escreve de acordo com o anterior acordo ortográfico

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