Racismo

Sei que abordar este tema me expõe a críticas e más interpretações, mas como é um tema atual, gostaria de tecer algumas considerações sobre ele. Se fizer uma retrospetiva de trinta ou quarenta anos, verifico que nunca este tema teve a importância que hoje tem. De facto, quando estudante, a presença dos negros no país era quase residual se excetuarmos as grandes cidades. Nunca vi ou ouvi coisas em desdouro dos negros. Eu próprio tive como colegas de carteira dois negros de Moçambique e, por sinal muito inteligentes. Um fez o antigo quinto ano em dois anos e o outro seguiu a sua carreira como licenciado. Ambos retornaram a Moçambique. Estávamos em plena época colonial ainda sem guerra. Porque eram muito poucos os negros em Portugal, nessa altura, nunca notei qualquer discriminação e, pela experiência como estudante, nos Jesuítas, eu e os meus colegas sempre tratamos esses moçambicanos negros como iguais.

Acho que o problema se agudizou agora com a comunidade negra em Portugal depois da colonização e sobretudo com a mão-de-obra vinda de Cabo Verde nos anos sessenta. Em muita prosa jornalística vejo que acusam os portugueses de serem racistas. Cuido que além de exagerada esta afirmação, apesar de todos os estudos, não é consentânea com a realidade social. No nosso tempo, começaram a desenterrar-se esqueletos que, como esqueletos devem permanecer enterrados. Faz-me lembrar a fábula do lobo e do cordeiro. Quando o cordeiro inocente dizia para o lobo que não era ele a sujar a água, a resposta do lobo foi: “se não foste tu foi o teu pai”. E é isto que hoje existe na nossa sociedade: os portugueses esclavagistas, os portugueses negreiros, os portugueses que levaram para o Brasil milhares de escravos negros, as instituições nacionais que a partir do século XVI tinha ao seu serviço dezenas de escravos, são realidades que nos envergonham hoje com a nossa mentalidade do século XXI. Teremos nós que pedir perdão por tudo isso? Acho um grande disparate. Além do mais parece que só os portugueses foram negreiros. Nos grandes países europeus ninguém toca. Porquê? Admito que haja pessoas racistas entre nós mas também sei, por observação e vivência. Que um negro será sempre considerado um igual entre nós desde que se integre normalmente na nossa sociedade. Acho que, não sendo sociólogo, temos um certo receio da diferença. Mas porque é que por essa Europa onde há centenas de refugiados árabes, se consente que eles continuem a praticar algumas das suas aberrantes tradições em confronto com os costumes e leis das nossas sociedades? Aqui d´el Rei que estou a ser racista. Até as comunidades islâmicas no nosso país são um exemplo de boa integração, ao contrário de alguns países europeus. Contacto com tanta gente negra de igual para igual sem qualquer discriminação. As injustiças dos bairros periféricos de Lisboa e outras cidades não são só habitação de negros. Também lá habitam brancos. A comunicação social tem a sua quota-parte do alarme que atualmente se vive quanto à relação branco-negro. Sejamos sensatos!

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