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Mais que um animal, uma amiga

Há quem diga que os gatos vão e vêm. Não têm poiso certo. Gostam de quem lhes der comida e depois vão embora. Não posso concordar totalmente. Existem outros tantos que ficam até ao fim dos seus dias. Sempre gostei de animais. Na casa dos meus avós maternos tínhamos cães, gatos, galinhas, coelhos, um carneiro, ovelhas e porcos. Havia espaço, pois a casa era no campo. Depois viemos morar para a casa no bairro que tem um quintal. Começamos por ter peixes em aquário. Anos mais tarde tivemos gatos e até hoje continuamos com estes patudos. Sempre que morria um dizíamos que nunca mais teríamos nenhum bichano. Mas o que se diz à boca cheia, quase nunca é cumprido. Temos histórias engraçadas com todos eles, mas a que mais nos marcou foi a da Alzira.

Corria o ano de 2009 quando ela apareceu de mansinho. Trazia fome, mas não estava maltratada. Demos-lhe ração do Caramelo e aos poucos começou a entrar no quintal. Não sabíamos quem seria o dono. Um dia passou um rapaz nosso vizinho na rua e exclamou: “– Olha a minha Alzira!”. Ele pediu-nos que ficássemos com ela pois não tinha dinheiro para lhe comprar comida. Curiosas, perguntamos-lhe a razão do nome que escolheu. Disse-nos que tivera uma paixão de verão que se chamava Alzira.

A partir desse momento esta gatinha cinzenta tornou-se a nossa companheira. Quando a minha mãe fazia as suas caminhadas matinais a bichana acompanhava-a. Quando alguma de nós adoecia, ela não saía de pé de nós. Por vezes saia à noite e quando voltava ela estava na rua à minha espera. Quando íamos de férias ela ficava entregue à minha vizinha e ao voltarmos não cabia em si de contente. Nunca deu muito trabalho, apenas foi esterilizada e operada a um tumor há uns anos. Mas, infelizmente o ano passado começou a ter problemas renais. A doença foi-se agravando e o veterinário sugeriu em último caso que a mandássemos abater. Não conseguimos, porque involuntariamente tínhamos esperança. Mas ela não aguentou e morreu dia 17 de janeiro. Foi duro. Chorámos. A nossa amiga e companheira deixou-nos.

Só quem tem amor aos animais é que pode compreender o que escrevo. Pois muitos disseram-me que com a morte dela já não gastava dinheiro no veterinário. Mas para nós o mais importante era ela ficar melhor. Claro que se gasta dinheiro, mas se o gastamos é porque o tínhamos e não o pedimos a ninguém. Por isso preocupem-se com as vossas carteiras e deixem a nossa em paz. Ainda a Alzira era viva, apareceu-nos outra gatinha com um ano, gorducha e bonita. Coloquei fotografias na internet e ninguém se acusou. Por isso ela ficou. A Xaroca amanhã vai ser esterilizada e esperemos que seja uma gata feliz e que nos faça companhia como a Alzira nos fez sempre.

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