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Fábula do rato e da rã

Aqui estamos para o primeiro apontamento do ano novo. O velho passou depressa, mas 2018 deu para alcançar objetivos, viajar por diversos continentes e efetuar aprendizagens estimulantes. Encorajamos os leitores a olharem para as suas realizações. Temos a certeza que haverá sempre algo de que cada um se possa orgulhar.

As notícias da santa-terrinha é que quebram o encanto. No seu blogue, um político português cita Sá de Miranda: “…m’espanto às vezes, outras m’avergonho…”. Compartilhamos essa sensação ao ler que o chefe de Estado telefonou em direto para Cristina Ferreira, em pleno programa de entretenimento televisivo. Há já algum tempo que duvidamos da seriedade do presidente faz-tudo e, visto que os media nacionais gostam de espetáculos circenses, desconfiamos quando não estão a passar futebol, telenovelas e música pimba. Peroram constantemente contra o populismo, mas não é necessário um mestrado em ciências da comunicação para entender que Trump ou Bolsonaro não são os únicos presidentes sedentos de popularidade fácil. E que a isso é costume chama-se populismo.

Ainda há pouco, lemos que a líder da extrema-esquerda parlamentar disse que “o governo [i.e. o PS] está a fazer populismo e é absolutamente irresponsável”. Quando é que os noticiaristas do regime lhe vão perguntar por que motivo apoia os orçamentos de um governo “populista e irresponsável”?

Viria a propósito disputar o significado de populismo, mas temos de respeitar o número de caracteres permitidos nesta coluna. Fica para outra ocasião. Hoje, apenas recordamos a fábula de Esopo sobre o rato e a rã. Trata-se de um rato que fez amizade com uma rã. Esta, para o desafiar ata uma das pernas à do amigo. À procura de comida, chegam à margem de um charco e a rã dá um salto e vai para o fundo, levando o rato com ela. O rato afogou-se e, em seguida, o corpo ficou a boiar. Um pássaro muito grande viu-o e apanhou-o para comer mais tarde. Ao levantar voo com o rato morto, a rã, por estar atada ao rato, também foi capturada e teve o mesmo destino. Moral da história? As ações planeadas para o mal acabam por ricochetear em quem as pratica.

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