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De médicos (veterinários) e loucos, todos temos um pouco

O “microchip”

Por: Dr.ª Telma Gomes

Obrigatório desde 2008 para todos os cães, ainda hoje a aplicação do sistema de identificação eletrónica, mais vulgarmente conhecido como “microchip”, levanta muitas dúvidas: os gatos também podem ser identificados por este sistema? Se o meu animal tiver um microchip, poderei localizá-lo? Como se processa o registo?

Comecemos por compreender o funcionamento do sistema de identificação eletrónica. Sensivelmente do tamanho de um bago de arroz, cada um dotado de um número único, o “microchip” é aplicado por baixo da pele, de cães, gatos, furões, etc, do lado esquerdo do pescoço. Esta é uma localização universal, para que todos saibam onde procurá-lo. Entretanto, ao número do “microchip” aplicado, serão associados os dados do detentor do animal, registados em uma de duas, ou em ambas, bases de dados, a que só médicos veterinários e funcionários de Juntas de Freguesia terão acesso. Então, quando se encontra um animal perdido, como se chega ao seu detentor? Através do uso de um leitor específico, que capta o número emitido pelo pequeno dispositivo. Esse número é então pesquisado nas bases de dados existentes e, espera-se, chega-se ao dono do animal. Percebe-se, então, que o “mi
crochipcrochip” não funciona como um GPS que emita dados de localização do animal à distância. Mas… “espera-se, chega-se ao dono do animal”? Como assim? Infelizmente, a venda de “microchips” não está restrita a médicos veterinários, que registam nas bases de dados os dispositivos que colocam. Existem criadores, lojas de animais,
que adquirem os aparelhos, aplicam-nos nos animais que comercializam e não efetuam qualquer registo, até porque nem têm acesso à base de dados. De que vale a aplicação de um “microchip” no animal, se não houver nenhum registo? Vale zero. Um número que não tenha dados associados não passa disso mesmo, um número. E, infelizmente, muitos são os animais que se perdem, têm “microchip” e não são registados. Certifique-se, ao adquirir um animal, de que o mesmo terá “microchip” registado: qualquer veterinário poderá fazê-lo. Deverá, também, dirigir-se à Junta de Freguesia, e pedir o registo na base de dados que lhe compete, ao tirar a licença do animal. E quanto ao argumento “o meu cão nunca sai de casa, não precisa de “chip”: bom, em primeiro lugar, isso é ilegal. Em segundo lugar, ficaria surpreendido com a quantidade de donos desesperados à procura dos seus animais e que referem “ele nunca saiu, não tem chip”. Pode nunca ter saído de casa, mas, a verdade, é que basta uma vez para o animal se perder. Tenha uma atitude proativa e responsável em relação ao seu animal: faça todas as perguntas ao seu veterinário. Proteja-se a si, ao seu animal, e à restante população! Os canis estão repletos de animais sem chips!

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