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Cuidado com o degrau

O título é sugestivo: é uma galeria onde uns cinco ou seis artistas exibem de arte obras inesperadas. A própria galeria desobedece à normalidade já que as obras não estão expostas num espaço aberto onde se possa deambular e estabelecer comparação entre elas: estão dispostas por quatro quartos diferentes e cada uma lança-nos um desafio à compreensão.

Confesso certa surpresa e ao mesmo tempo certa frustração, por não ter entendido a mensagem subjacente a cada uma das intervenções. Acredito que isso não é o mais importante porque, manifestamente, os seus autores, conseguiram demonstrar que a arte, conseguida nestes casos, com utilização de materiais que no dia a dia, identificamos com funções práticas, ou até como desperdícios, é uma manifestação individual da forma como cada um vê, interpreta e sente a realidade.

Há uma certa coerência em toda a exposição. E as obras expostas levam-nos a participar nas mesmas, ultrapassando uma visão artística em que o espetador se comporta apenas como observador.

A arte distingue-nos dos animais porque demonstra a nossa capacidade de pensar de forma abstrata, de constantemente reconstruir a realidade, de nos motivar para a aceitação e compreensão de novos códigos. De nos colocar perante uma visão do mundo, que muitas vezes, como neste caso se passou comigo, temos dificuldade em perceber e ultrapassa até a nossa capacidade de entendimento.

Goste-se ou não a arte e os diferentes modos de a ver é sempre uma manifestação em que o artista estabelece com o espetador uma relação que perde ao ser demasiado óbvia. Estou manifestamente baralhado com a referida exposição, mas aconselho a visita e penso que o título, que será talvez o nome da galeria, é perfeitamente adequado, tanto à entrada como à saída: cuidado com o degrau!

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