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Em torno da língua portuguesa

Vem este texto a propósito de uma informação acerca da presença de umas dezenas de portugueses no Gabão, como em outros países africanos, alguns em constantes convulsões. Ora, sendo o idioma de Camões e Saramago um dos mais falados no mundo, parece por vezes que os cidadãos nacionais o querem tornar ainda maior. Ou seja, continuamos como nos tempos dos descobrimentos, a plantar raízes, agora por motivos profissionais ou empresariais. Mas aqui e agora quero dirigir- -me mais à complexidade do nosso idioma, sabendo que não se trata de matemática nem de ser traiçoeiro, adjetivo com que ainda é rotulado. De facto, é um código muito moldado, no qual entraram vocábulos de outras culturas e línguas, com o latim a ser a sapata e a trave, para utilizar termos da construção civil.
É claro que essas culturas e línguas foram contributos como afluentes que foram dando o seu enriquecimento ao caudal do grande rio, ampliando a sua capacidade, e nesse caso estão palavras de origem árabe, celta e germânica, entre outras. Não é de somenos importância a evolução ao longo dos séculos, que cimentaram a língua portuguesa e a tornaram versátil, perfeitamente ajustada às situações. Pelo que atrás digo, o Português merece continuar bem vivo e original, sobretudo quando não são precisas novas palavras para transmitirem a ideia, o conceito. Neste contexto, começo por falar hoje da expressão latina “pari passu” que significa a passo igual, e não a par e passo, e de “caterva”, que se refere a grupo, conjunto, porque não existe catrefada. Também atanazar anda a substituir a palavra correta “atenazar”, apertar com a tenaz, como também tem de ser corrigida a expressão ciclo vicioso, porque bem é dizer “círculo vicioso”. Deixemos ainda a palavra importada “chance” e digamos possibilidade e ocasião. Camões e Saramago agradecem certamente.

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