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1924 – O carácter associativo

PRÓLOGO

Um pedido de desculpas por uma incorrecção no meu último artigo, A decadência da democracia, publicado em 4/1/2019. Quando referia os elementos com responsabilidade no sector monárquico, escrevi Acácio Sirgado Rodrigues (Quinta do Melo), quando o que é correcto é Acácio Dias Sirgado (Quinta do Mato). Veja-se a notícia do jantar íntimo dado por aquele a um grupo de amigos, apresentado nesta página (O Almonda nº 202, 3/6/1923/.

O associativismo torrejano em 1924

No ano em curso, quatro temas ressaltam do quotidiano, com marcas profundas na estrutura física e mental concelhias. A abertura da Avenida Municipal, o crescimento migratório em relação a Fátima, o agravamento do custo de vida, e o desenvolvimento acentuado dos movimentos associativos. Todos com debate e existência anterior, mas cada um à sua maneira criando raízes que vieram até hoje. Vejamos, primeiro, o que se passa no movimento associativo.

Sindical

1924 é o ano em que, na continuidade da luta nacional do sector operário para a sua organização, após um comício operário realizado em Fevereiro no Virgínia (O Almonda nº 238, 10/2), criam-se em Torre Novas, sob influência anarco-sindicalista do 3º Congresso Nacional Operário da Covilhã, realizado em 1922, por influência do grupo local coordenado por Faustino Bretes, dois sindicatos, o Sindicato Único dos Operários da Indústria e da Construção Civil e o Sindicato Único Metalúrgico, Francisco Canais Rocha, (Para a História do Movimento Operário em Torres Novas, pág. 182) refere o pouco que se conhece da sua actividade, além da participação nas festas do 1º de Maio desse ano e no seguinte. Com o Sindicato dos Caixeiros, que já existia desde os finais da monarquia, mas cujos estatutos ainda não estavam legalizados em 1920 (Santos, A. Mário, História da 1ª República em Torres Novas, pág. 256). Um outro sindicato esteve na forja: «na 4ª feira passada reuniram na Biblioteca de S. Miguel os carpinteiros e pedreiros da vila, a fim de se prepararem e tratarem da sua Associação de Classe, sob a protecçao de S. José e com o caracter de socorros mútuos» (O Almonda, nº 246, 6/4), mas não vingou, devido à intervenção de Faustino Bretes, que conta o que se passou nas páginas do seu Jornal anarquista, O Resgate, publicado em 1926 (nº 8, 16/8) e nª 9 (1/9).

Cultural

Desde o início do ano que são concretizadas récitas, com representações teatrais, em favor do cofre das colectividades, como a favor da Associação dos Caixeiros, com uma peça ensaiada por Artur Gonçalves, ou da Sociedade Filarmónica Riachense, por um grupo local com uma peça teatral de Júlio Dantas (O Almonda, 233, 6/1). Em Fevereiro, na sede do Montepio Operário das Lapas, em benefício da Academia Musical União e Trabalho, o Grupo Dramático Torrejano, leva a efeito um sarau com a comédia O Padrinho. O Almonda permite-nos registar os componentes desse grupo com grande actividade representativo no concelho e nas actividades do Órfeão, levadas a efeito, ainda nesse ano em Leiria: Joaquim A. de Oliveira, mais conhecido por Joaquim Labita, Alfredo Rodrigues Cardoso, Alberto Rodrigues Cordoeiro, Júlio da Silva Bento, Justino Gaspar, José Lopes dos Santos (idem, nº 241, 2/3). Outras actividades importantes: a inauguração da Biblioteca S. Miguel, na Casa S. Miguel, dirigida na altura por António de Almeida Santos, que surge a partir do impulso e da biblioteca do Dr. Alberto Dinis da Fonseca. (idem, nº 244, 23/3). Em Maio, apresentação do Órfeão Torrejano, sob a direcção do padre Maya dos Santos, com três saraus, a 1, 5 e 12 de junho, em benefício, da Misericórdia, do Montepio, e do Órfeão, (idem, nº 249, 26/4). O seu distintivo foi projectado pelo tenente coronel José Brusco (idem, nº 255, 7/6). Outro grupo com importância concelhia, sob a regência de Manuel Antunes dos Santos é Grupo Musical Torrejano, composto pelos seguintes músicos amadores. Irene Furtado de Vasconcelos e seu pai Artur Arez de Vasconcelos (secretário da administração e filho de Artur Gonçalves), Manuel Ferreira, António Lopes dos Santos, José Lopes dos Santos, Manuel Lopes dos Santos, João Carvalho Pais, João dos Santos Lagartixa, Francisco da Silva, Joaquim Pereira Borga, António Gameiro, José Lopes Fernandes, Manuel Joaquim Ferreira, João Quirino e Joaquim Antunes (Idem, Nº 241, 2/3). Além das bandas operárias das freguesias, com bastante actividade na época, saliente-se a Banda Operária Torrejana, que, embora com dificuldades se ia mantendo, e que a partir da nova direcção (Presidente, Joaquim Alexandre Inácio; vice-presidente, Faustino Rodrigues Bretes; 1º secº Alexandre Queirós Alva; 2º Secº. Alfredo António Canais; vogais, Joaquim da Silva Ayres, Henrique Hernandez, Francisco Marques, José Lopes dos Santos, (Id, nº 263, 2/8), reiniciam as suas actividades, com bailes, no Salão Avenida, edifício que pertencia à casa Velez (id, nº 280, 29/11). Preparava-se a construção do futuro coreto da praça, cujo projecto de arquitectura estava nas mãos do Sr. Alexandre Castilho Rodrigues, para o qual a Comissão Municipal participava com 5 contos (Id, nº 269, 13/9). Nos sectores assistenciais, educativos, económicos, sociais, religiosos, também se denota activa intervenção, como veremos em próximo artigo.

antoniomario45@gmail. com
PS. O autor segue o anterior acordo ortográfico.

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