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Foram-se as pias, ficou o cabeço

Há uns anos ouvimos falar na Casa Abrigo que ficava na freguesia do Pedrógão. Pensávamos que era uma casa para abrigar caminhantes ou algo semelhante. Não estávamos muito longe da verdade. Na altura organizavam-se passeios pedestres gratuitos e nós embarcamos num muito interessante. Começamos pela nascente do rio Almonda, subimos uma encosta íngreme e terminávamos na Casa Abrigo. Foi maravilhoso após tantos altos e baixos, algumas escorregadelas na lama. Valeu a pena chegar ao topo do Cabeço das Pias e apreciar toda a paisagem envolvente da serra d’Aire. Pudemos visitar as instalações, todas bem estruturadas e arrumadas. O sol invernoso brilhava e enchia os nossos pulmões de ar puro, enquanto assistíamos a uma demonstração como se fazia o queijo fresco. Voltamos a participar noutra caminhada em novembro de 2012 desta vez com partida do parque de merendas do Bairro até à Casa Abrigo. Foi muito engraçado pois pudemos andar de burro e ainda tínhamos um senhor que nos dava informações acerca do tipo de plantas e rochas que vivem na serra. Ao longo do percurso cruzámo-nos com um pastor e o seu rebanho de cabras. A manhã terminou com um petisco para reforçar o esforço gasto e um pezinho de dança.
Entretanto os anos foram passando e hoje o local está totalmente abandonado. Foi assaltado, vandalizado e agora o Município de Torres Novas procura financiamento para recuperar o Cabeço das Pias. Parece irreal. Como é possível ter um “ grande pássaro” não mão e deixarem-no fugir? Como é possível deixarem este local ao Deus dará e agora procurarem quem lhe pegue? Como é possível nunca colocarem lá um ou dois seguranças ao longo destes anos? Como é possível não ter tido ideias rentáveis para um turismo rural na altura devida? Como é possível isto tudo e muito mais. Abram os olhos por favor. Estamos bem situados, rodeados de rio e serra e não temos uma praia fluvial por exemplo? Mas temos lixo no rio, poluição, mau cheiro e escassez de turistas. Porque não há um plano estratégico para chamar o desconhecido. Continuamos com mais do mesmo. Pelo andar da carruagem o património local perde-se ou é comprado por terceiros. E nós torrejanos vamos assistindo a estes infortúnios dum reino com falta urgente de verdadeiros cavaleiros que lutem com garra pelo que a nós nos pertence.

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