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A nossa indiferença

O mar Mediterrâneo nos nossos dias tornou-se uma fronteira entre a esperança e o desespero, tornou-se uma barreira que se opõe a que muitos seres humanos fujam da fome e da guerra e al- cancem o que eles idealizam como porto seguro. E nessa fuga muitos têm encontra- do no Mediterrâneo, em vez da segurança que procuram, a própria se- pultura, só no ano anterior foram mais de dois mil os que aí pereceram. Aí pereceram com a nossa indiferença. Neste preciso momento navega nessas águas um navio com emigrantes, procurando um porto europeu, que nenhum país quer receber. Esse navio é a imagem desta Europa, também ela à deriva. Sabem os líderes europeus que a opinião pública dos países que governam é hostil ao acolhimento desses emigrantes. Dá mais votos a recusa ao acolhimento do que o gesto humanitário de receber o Outro. Estamos longe dessa Europa solidária com que sonharam os fundadores da União Europeia e hoje assistimos a uma atitude de egoísmo e de indiferença. Isto pode significar o fim da própria Europa ameaçada pelo populismo. Em vez da união com que sonharam muitos, assistimos à fragmentação como é exemplo a saída do Reino Unido da Comunidade. Cada povo a olhar para os seus interesses com indiferença e mesmo hostilidade pelo Outro não traz nem paz, nem cooperação, nem unidade. Ao recusar esses imigrantes, que só que- rem a sobrevivência, a Europa cede às exigências dos extremistas, que veem no outro o inimigo, em vez de praticar políticas de inclusão, que essas, sim, congregam e são caminho para a paz. E tudo isto perante a indiferença dos povos europeus, a nossa indiferença.

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