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Sem boa política o populismo espreita

Há um sentimento generalizado de que o negrume dos anos de intervenção da troika passou. Sondagens, diversos indicadores, conversas de ocasião dizem-nos que a situação política e económica está melhor. Respira-se um optimismo moderado mas a lucidez e um olhar crítico sobre o presente leva-nos a interrogar se a crise profunda em que mergulham algumas das democracias da Europa não poderá chegar até nós com o triunfo do populismo. É que o populismo e a afirmação da extrema direita nascem sobretudo da má governação. Os povos sentem que as suas mais profundas e justas aspirações não encontram eco na acção política dos seus líderes. E nós não estamos a salvo dos desvios que sofre a democracia onde circunstâncias diversas leva à eleição de governantes que no discurso demagógico respondem aos anseios dos eleitores. A doença pode cá chegar.

Há muitas palavras propagandeando e muita quebra de promessas; há o predomínio da demagogia sobre a transformação concreta para o desenvolvimento; há sujeição ao mundo financeiro e pouca acção centrada na vida real das pessoas; não há resposta para a pobreza. Por isso, se olharmos reflexivamente a realidade em que estamos, talvez não surpreenda a inquietação que grassa em muitos sectores da nossa sociedade. Entre outros, professores, protecção civil, guardas prisionais, profissionais da saúde, reclamam dos seus direitos. Faltam meios, investimentos…Como exemplo, olho para a Saúde e pergunto: Que fizemos do Serviço Nacional de Saúde? Não seria uma prioridade, há muitos anos, olhar para as condições desumanas do serviço de Pediatria do Hospital de S. João; é racional num serviço de urgências horas e horas de espera sem uma palavra, um gesto de acolhimento? Etc.

Temo que as sucessivas eleições que aí vêm proporcionem mais demagogia, fáceis promessas e o esquecimento das inquietações e problemas reais das pessoas. Se assim for, a má política abre as portas ao triunfo dos populismos e da negação do que é a democracia.

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