A Esperança

e neste nosso mundo, só esta palavra pode ter algum sentido porque tudo o mais é hipocrisia e faz de conta. Num lugar tão pequeno deste nosso planeta, uma luz bruxuleou há dois mil anos: uma criança nasceu. A pobreza foi o seu emblema e as pessoas que estiveram presentes, além de seu pai e sua mãe, eram pessoas a quem ninguém dava importância: os pastores das redondezas. Mas isto não é tudo porque os ricos também vieram e demonstraram que o eram pois trouxeram ouro, incenso e mirra. Hoje aquela terra tem como convidados permanentes a guerra e o ódio. Hoje os que mais podem enchem os grandes armazéns, comprando coisas tantas vezes supérfluas. Mas enfim a pobreza que ninguém quer, as pessoas a quem ninguém liga também veem essa luz bruxuleante mas só dá esperança e algum conforto porque para alguns terem muito, muitos têm pouco ou nada. Parece que nada mudou em dois mil anos. Mesmo no nascimento daquela criança, quanta contradição porque não está conforme os nossos códigos de conduta. Mesmo para quem não é crente, a recordação dessa história tão embelezada e tão representada no nosso mundo ocidental e não só, provoca em nós uma emoção de carinho e de beleza extraordinária. Pouco a pouco transformou-se numa celebração da família e, dentro de pouco tempo nem esse estatuto vai ter. Onde está a família? Continuo a afirmar o que nos resta, nesta festividade é a esperança num mundo melhor que não conseguimos construir em dois mil anos. Será que é preciso mais ódio, mais guerras para construirmos um mundo de paz e fraternidade? Mas o ódio e as guerras não trazem paz nem felicidade. Por vezes esperamos tudo de um Estado omnipotente e julgamo-nos dispensados de construir esse mundo de esperança. Não estamos. Nestes dias festivos em que tudo são luzes, em que tudo são prendas, sejamos construtores de esperança.

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