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Mensagem de Natal 2018 O Natal pede acolhimento

O ‘Acolhimento’ é uma disposição virtuosa, pensada e assumida ou então é um bom hábito adquirido em família, uma disposição cultural, um gosto de viver recebendo os outros. Existe o acolhimento como qualidade profissional, no atendimento público, mas não menos importante é o acolhimento que caracteriza uma pessoa que assim se manifesta dando lugar aos outros, escutando-os e considerando-os.

Na verdade, só existe acolhimento se houver pessoas acolhedoras. A vida humana pede acolhimento para se realizar. A nossa existência é marcada pelo acolhimento, pois na verdade se não nos tivessem acolhido à nascença não teríamos subsistido. Porém, para que uma pessoa tenha capacidade de acolher é necessário que, para isso, tenha tempo e espaço, a começar no coração. Eis aqui, as dificuldades do nosso tempo que são ‘não haver tempo ’e ser estreito ou fechado o ‘espaço’ do coração. A Sagrada Escritura revela-nos um Deus surpreendente, vivo e santo, que vai ao encontro do homem para nele encontrar acolhimento. Abraão acolheu três homens cansados e esfomeados que passavam junto da sua tenda e descobriu que aquelas três figuras eram a presença e a Bênção de Deus (cf Gen 18,1-19). Jesus não teve, em Belém, acolhimento para nas cer senão no espaço de um curral de animais (cf. Lc 2,1-7). Um dia, no monte das Oliveiras, Jesus chorou voltado para Jerusalém porque não encontrou nela acolhimento (cf. Lc 19,41-45); aquela cidade não reconheceu Aquele que lhe podia dar a paz. No último Livro da Bíblia, o Apocalipse, somos exortados a estar vigilantes para acolher Deus que se aproxima da nossa porta: “Eu estou à porta e chamo. Se alguém ouvir a minha voz e Me abrir a porta, entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo” (Ap 3,20). Esclarece o Evangelho de S. Mateus: “Quando o Filho do Homem vier na sua glória (…) dirá aos da sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo” (Mt 25, 31-36). O acolhimento é, assim, condição para que haja Natal. Quis Deus aparecer no mundo como criança para provocar em todos a capacidade de O acolher. Vamos celebrar o Natal em pleno Ano Missionário. Neste contexto, o desafio de tornar presente Deus no mundo, começa pela nossa capacidade de O acolhermos. Quando nasceu Jesus em Belém, a escravatura era prática legal. Ele deu a vida para defender a dignidade de cada pessoa, mas a sua Palavra é desprezada e, por isso, não faltam no mundo ‘reinos’ de mentira, injustiça, indiferença, ódio e incapacidade de amar. Não faltam no mundo guerras, tensões e injustiças que têm como efeito, na atualidade, a existência de dezenas de milhões de pessoas em situação de escravatura e outras dezenas de milhões a viverem em campos de refugiados. O Natal pede o acolhimento d’Aquele que nos pode dar a paz, acolhimento de uma outra proposta, uma nova luz, um outro olhar, uma nova contemplação, um novo sonho, uma nova consideração pelos nossos semelhantes. O Natal é uma oportunidade para assumir um ideal justo e positivo para a construção da vida e da sociedade. O mundo tem necessidade da verdade e da ternura de Deus. O acolhimento do Menino de Belém dispõe-nos à renovação da vida na alegria da Fé, traduzida em acolhimento e serviço por amor. Dispõe-nos a assumir “a missão de ser Luz do mundo e Sal da terra”. A todos os diocesanos, famílias, comunidades cristãs, movimentos de apostolado, cristãos leigos, religiosos e religiosas, seminaristas, diáconos, aos irmãos sacerdotes, com a especial responsabilidade de promover as celebrações do Natal com a maior beleza; aos irmãos doentes, idosos ou com deficiência e aos que deles cuidam em casa, nos lares ou nos hospitais, aos reclusos nos dois estabelecimentos prisionais de Torres Novas e Tomar e a todos os que habitam ou trabalham na área geográfica da Diocese, sem esquecer os que nasceram noutros países mas residem entre nós, para todos os votos de Santo Natal, com a melhor saúde, acolhimento, amor e paz.

+ José Traquina, Bispo de Santarém

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