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Brincar é importante!

Por: Dr.ª Sara Filipa Ferreira

Onde há crianças há adultos que se atropelam na compra das últimas novidades, desejosos de provocar sorrisos na tão ansiada noite da troca de presentes. Faz todo o sentido oferecer brinquedos às crianças. Afinal, eles são o instrumento que lhes permite desenvolver
uma das atividades fundamentais da sua vida: brincar. É a brincar que as crianças descobrem e interpretam o mundo que as rodeia, exercitam as suas capacidades e habilidades, descobrem os outros e com eles se relacionam.
Brincar é mesmo uma coisa séria, tão séria que a Declaração Universal dos Direitos das Crianças reconhece o direito a brincar como fundamental. E os brinquedos são os elementos que enriquecem as brincadeiras e estimulam as crianças, ajudando-as a desenvolver múltiplos aspetos da sua personalidade. Na mão de uma criança, qualquer objeto pode constituir um brinquedo, transformando-se em matéria-prima de sonhos, aventuras e conquistas. Mas como saber o que comprar? A publicidade que inunda as caixas de correio e os ecrãs televisivos nesta altura do ano abre um leque imenso de perspetivas, deixando os miúdos de olhos a brilhar de deslumbramento e os
adultos a braços com dúvidas e dúvidas. Conselhos: reflita no que a criança tem, quer e necessita. Selecione o brinquedo tendo em conta a idade, os gostos e as capacidades da criança. Procure a cumplicidade da criança na hora da escolha e comente os anúncios com ela, ajude-a a ser crítica. Ofereça brinquedos ao longo do ano e não apenas no Natal ou aniversários. Estimule a capacidade de brincar e ensine a utilizar corretamente o brinquedo. Porque brincar ajuda a desenvolver a capacidade sensorial, o movimento, a inteligência, a afetividade e a sociabilidade dos mais pequenos… Se um menino pedir uma boneca como presente, o mais provável é que se gere algum constrangimento. É que prolifera ainda na nossa sociedade uma barreira de género, que divide os brinquedos consoante os seus destinatários: meninas ou meninos. Assim, perante um menino que pede uma boneca não será de admirar que a resposta do adulto seja “as bonecas são para as meninas”. O que alimenta este tipo de resposta são os receios dos adultos: têm medo, em primeira instância, que esse interesse particular indicie uma futura homossexualidade. Os brinquedos acabam, assim, por adquirir o sexo do destinatário que a sociedade convencionou, reproduzindo um modelo social organizado em função do género e, com isso,
limitando o acesso das crianças à diversidade. Contudo, meninos e meninas são tratados de forma diferente. As meninas brincam com carrinhos e jogam à bola, delas se dizendo apenas que são marias-rapazes. Já eles, se brincarem com bonecas, correm o risco de serem rotulados pelos pares (e pelos adultos) de forma bastante mais desagradável e discriminatória. Porque o azul é para os meninos e o rosa para as meninas, até o papel de embrulho pode ser diferente. Com isso se condicionam brincadeiras, mas também o próprio desenvolvimento infantil. Brincar é aprender a crescer. Crescer na diversidade é saudável!

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