A barbárie

Muito se tem falado da perda de valores morais nas nossas sociedades. Mas por aquilo que observamos todos os dias, as coisas não tendem a melhorar, bem pelo contrário, vão de mal a pior. Uma pessoa vai na rua, muito tranquila e de repente passa um carro, um jovem abre a janela e dispara uma série de obscenidades na nossa direção. Para quem, com que motivo, tudo tão rápido pois o carro continuou a sua marcha. Nem sequer deu para poder reparar no jovem que vomitou a bílis que lhe ia nos maus fígados. Já estamos habituados aos impropérios que nos dirigem nas estradas ao repararem que o condutor, vá depressa ou devagar, já não é novo. Já me habituei a usar um boné ou um chapéu, quando viajo, para não ouvir o vocabulário de escárnio como se não tivesse o mesmo direito, só por ser mais velho, que esses jovens mal-educados. Toda a minha vida ensinei jovens e portanto lidei com eles anos a fio e nunca nenhum teve qualquer atitude menos educada para comigo. Que sucedeu a esta juventude (falo em geral)? Penso que a maior parte perdeu aqueles valores que os integravam na sociedade em que nasceram. Pode ser que alguns nunca os tivessem adquirido. Sabemos também que a “juventocracia” é algo que até alguns mais velhos defendem, só para parecerem muito modernos. Temos que dar lugar aos mais novos porque sabemos que sem eles a sociedade não progride e não avança. Mas também é verdade que para uma sã convivência entre gerações é preciso que os valores dos mais velhos, o seu testemunho e a sua experiência passem aos mais novos. Mas infelizmente as moedas têm duas faces e as novas tecnologias, que tanto contribuem para o progresso, também têm como resultado a má educação, as falsas notícias e os falsos valores. Vejam a França onde vivi durante o Maio de 1968 e não vi destruições e pilhagens como agora. Passeei livremente por Paris inteiro. Alguém disse que o Maio de 68 à vista da revolta dos “coletes amarelos” foi uma brincadeira de crianças porque a “barbárie “desgovernada, só rouba e destrói. Nada constrói.

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