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Daniel Sampaio com auditório cheio para o escutar sobre pais e adolescentes no tempo da internet

Um auditório da biblioteca municipal Gustavo Pinto Lopes completamente cheio acolheu o conceituado psiquiatra e terapeuta familiar, Daniel Sampaio, na quinta-feira, dia 29 de novembro. O motivo do grande interesse foi a conferência sobre o seu último livro “Do telemóvel para o Mundo – pais e adolescentes no tempo da internet”. Joaquim Cabral, o vereador com o pelouro da Educação deu as boas-vindas e lembrou que aquele momento destinava-se também a assinalar o “Dia Internacional da Cidade Educadora”, que se comemorou no dia seguinte, dia 30. Coube a Jorge Simões a apresenta- ção do conferencista e fazer uma primeira abordagem da temática que foi trata- da naquela noite. O novo livro de Daniel Sampaio aborda a mais atual problemática com que se con- frontam os adolescentes, pais e educadores de hoje: a relação dos jovens com a internet e as redes sociais. Sem colocar em causa o benefício no acesso ao conhecimento que esta tecnologia proporciona revela também os problemas que a sua má utilização pode provocar nos jovens de hoje, nomeadamente a vulgarização da sua intimidade, através das redes sociais: Instagram, Facebook, WhatsApp, Snapchat, YouTube. O conferencista optou por fazer uma introdução ao tema, para depois abrir uma sessão de perguntas e respostas. Daniel Sampaio começou por descrever o que é encarado por “família tradicional” ao longo dos tempos, para depois nos anos 80 se chegar ao “boom” dos divórcios, que «começaram a crescer e hoje são uma realidade importante», avançando com uma curiosidade sobre o tema, «hoje em dia 10% dos divórcios acontecem nos casais com mais de 60 anos». Rapidamente chegou ao tema da internet, que se generalizou aos telemóveis em 2011, provocando «uma revolu- ção na comunicação». O livro «Do telemóvel para o mundo» aborda as questões resultantes da «galáxia da internet», uma metáfora utilizada por um investigador espanhol que a compa- ra, em importância, ao feito de Guttenberg com a primeira máquina de impressão. «Com a imprensa é que o conhecimento se disseminou no mundo», recordou o conferencista. Nos nossos dias, o que se propõe, «é que estamos perante uma oportunidade única de comunicação e não considerar que é “uma coisa má”». É claro que «há perigos», mas os benefícios superam largamente os aspetos negativos. «Poder estudar tudo o que seja é uma possibilidade. Mas sobretudo é uma importante forma de nos comunicarmos», jus- tificou. Mas os pais devem estar atentos. Ser vigilantes, sem ser intrometer. «Há que estar atento, tomar conta dos filhos com o envolvimento afetivo» e complementou a ideia, «a autoridade [paternal] resulta desse envolvimento». Defendeu ainda o psiquiatra que não será possível educar sem disciplina, fomentando o controlo e acompanhando os filhos. «Perguntem aos vossos filhos não só pelas notas, mas como se sentem na escola», para que assim os filhos saibam que para os pais é importante o seu bem estar. E, caso algo esteja menos bem, poderem falar com algum responsável da escola. Há que educar os jovens «para a autonomia» e os pais não devem «andar com eles ao colo», procurando ajudar a que eles se tornem «seguros e competentes». Do lado prático da temática, Daniel Sampaio propôs a entrega do primeiro telemóvel aos 10 anos de idade, justificando, «porque é um instrumento útil». E meio a brincar, meio a sério, acrescentou, «e um daqueles que seja smartphone e que não tenha só teclas pelo amor de Deus». Só que, com a entrega, os pais devem assegurar-se que os jovens o saibam utilizar.

Privacidade no telemóvel

Antecipando-se a uma eventual questão do público Daniel Sampaio abordou também o tema da privacidade dos jovens, perguntando, “Devem os pais entrar no telemóvel dos filhos?”. E a resposta foi peremptória: «Claramente não». Apesar de todos os riscos, há que «criar um clima de confiança», que, se for quebrado, «dificilmente se recuperará». Um facto interessante e muitas vezes verdadeiro, é que pela primeira vez na História são os mais novos a saber mais do que os mais velhos, no que respeita à tecnologia. E esse conhecimento «faz oscilar a autoridade». Para que não fiquem para trás, os pais devem também procurar aprender, para que possam manter o estatuto de “autoridade”, por terem conhecimento.
Noutra ideia, pediu aos pais que aproveitem «o bom da internet», que comuniquem como os filhos o fazem, com whatsup, snapchat e outros programas que no fundo «aproximam».

Cyberbulling e outros perigos

No debate surgiram algumas questões relacionadas com o “bullying”, ou no caso, da humilhação através da internet. Este «é pior», porque «é invisível», sintetizou o conferencista. Pediu que os pais e educadores estejam atentos aos tradicionais sinais de rejeição, que passem pela recusa de ir à escola, dizer-se doentes, e outras estratégias que os mais novos encontram para se proteger da humilhação no espaço escolar. E se for o caso devem os pais pedir ajuda à escola para lidar com o problema, mas não devem ser os pais a resolver os problemas dos filhos. Deverão sim ajudá-los a ultrapassar essas dificuldades. Sobre a proibição dos telemóveis na Escola, uma questão que saltou do público, Daniel Sampaio defendeu que seria «artificial» tentar impor a proibição, pois onde tentaram o tempo de uso das casas de banho pelos jovens aumentou exponencialmente. O que se deverá fazer, defendeu, é «defender o uso com regras», dando exemplo da escola do Cartaxo, onde o telemóvel fica num cesto, à entrada da sala de aula, mas que a certa altura é requisitado pelos professores para fazer pesquisa sobre um qualquer assunto.

Luís Lopes

 

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