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Os gatos assilvestrados

Sempre gostei de animais, mais dos selvagens que dos domésticos. Mas os animais domésticos que se tornaram selvagens preo- cupam-me. Os pombos que causam danos nos monu- mentos com os seus excrementos ácidos e conspurcam as varandas dos edifícios. As matilhas de cães que atacam pessoas e matam gado. Certos animais, como os garranos do Gerês, são uma imagem de marca dessa região, enriquecendo-a em termos de biodiversidade, mas esta é a exceção que con- firma regra.

Na maior parte dos casos os animais descendentes de animais domésticos, para além das desvanta- gens diretas para os seres humano, causam graves problemas nas populações de animais selvagens, nomeadamente a poluição genética.

Os pombos, ditos domésticos, descendem dos pombos das rochas, mas, a não ser nas remotas fragas do Douro Internacional ou nas agrestes arribas da costa vicentina, já não existem populações que sejam genetiticamente pu- ras com plumagem característica desta espécie.

Entre os animais que causam mais danos nos ecossistemas contam-se os gatos, que têm um encanto especial porque parece que nunca estão inteiramente domesticados, mantendo sempre uma altiva indiferen- ça. Os gatos selvagens, não confundir com a geneta, são já raríssimos em Portugal. A proliferação de gatos do- mésticos que se tornaram selvagens contribui, com a destruição do habitat e a perseguição direta por caçarretas para o seu desaparecimento.

Ao pé de minha casa alguém tem a infeliz ideia de alimentar gatos; há dias vi no jornal anunciar uma ação de esterilização de gatos justamente nesse local. A meu ver em vez de andarmos a gastar dinheiro com ações dessas, com resultados duvidosos, deveria penalizar-se quem os alimenta, contribuindo assim, para controlar a indesejável proliferação dos gatos assilvestrados.

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