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Tosse na Criança

Por: Dr.ª Sara Filipa Ferreira

Muitos são os pais que nesta altura do ano andam perdidos de sono devido às inúmeras noites mal dormidas em consequência dos acessos de tosse dos seus filhos. A tosse é, logo a seguir à febre, a queixa mais frequente nas consultas de saúde infantil. Traz bastante incómodo e cansaço à criança, mas também aos pais, originando grande ansiedade e preocupação, uma vez que estes pensam sempre que a sua presença é sinal de doença grave. É importante explicar aos pais que a grande maioria das situações que condicionam tosse na criança são benignas e autolimitadas e que a tosse é protectora. A tosse é um importante mecanismo de defesa do sistema respiratório e tem como principal função a remoção de substâncias estranhas ou irritantes e impede que o muco e/ou o pús se acumulem nos pulmões. A maior parte das vezes, especialmente nesta época do ano, a tosse é provocada por agentes poluentes. Se o seu filho tem tosse nem sempre isso deve ser motivo de preocupação. De uma forma geral estas são as situações em não se deve preocupar: se a tosse começou gradualmente; se se mantém já há alguns dias mas está a melhorar; se a criança não tem aspecto doente, brinca como habitualmente e dorme bem à noite; se não tem febre ou vómitos e mantém o seu apetite; se não tem dificuldade em respirar. É importante que os pais saibam que em algumas crianças, sobretudo as mais pequenas e as que vão pelo primeiro ano
para o infantário, a tosse pode manter-se por períodos longos por vezes superiores a 1 mês sem que isso indique que a criança tenha necessariamente alguma doença grave. Então quando se justifica procurar ajuda médica? Deve procurar ajuda médica se a criança apresenta respiração superficial e/ou rápida ou dificuldade respiratória. Se tem pieira (“gatinhos”). Se emite um barulho alto, estridente, de tonalidade rouca, acompanhado de esforço respiratório nítido. Se entra em exaustão e/ou sufoca. Se fica com os lábios ou unhas azulados. Se exterioriza escarro com sangue ou muco, corrimento nasal amarelo ou esverdeado. Se tem vómitos repetidos com a tosse e/ou fezes líquidas e gordurosas. Se a criança geme, está mais prostrada, ou pelo contrário muito agitada. Se tem febre durante mais de 72 horas. Se se queixa de dor. Se a tosse interfere com o sono. Se surge de forma súbita numa criança que poderia ter inalado um corpo estranho. E claro, deve procurar o seu médico se está angustiado e necessita de esclarecimentos. Sempre antes de iniciar qualquer tipo de tratamento. Tossir, a princípio é bom! A abordagem na tosse inespecífica de “ver, esperar e rever”, que os pais tanto estranham, é a mais correcta. A única terapêutica realmente adequada e eficaz para a tosse é o tratamento da sua causa, e essa só o médico está habilitado a descobrir e tratar! Raramente é aconselhado tomar um “xarope para a tosse”. O melhor “remédio” é a hidratação, isto é beber bastantes líquidos (água, chá ou sumos naturais feitos na hora e em casa). As mezinhas das avós são óptimas, o chá de limão com mel, o leite morno, o “xarope de cenoura”, por exemplo. Se tem aerossol, pode fazer apenas com soro fisiológico. Evitar a exposição a ambientes de fumo, pouco arejados e com ar condicionado. Em resumo, se a tosse da criança o preocupa consulte o seu médico assistente. Em face da causa da tosse este irá prescrever o tratamento mais adequado. Não a medique sem indicação médica, pois poderá estar a prejudicá-la.

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