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Cem anos após o Armistício

No início do século XX, as principais nações europeias eram assoladas por vários problemas e havia descontentamento por causa da partilha da África e da Ásia, no caso a Alemanha e a Itália não tinham entrado no processo neocolonial, pelo que se aponta este facto como uma das causas da Primeira Guerra Mundial. De qualquer forma, esta guerra que durou de julho de 1914 a novembro de 1918, foi provocada pelo assassinato do arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do trono do império Austro-Húngaro, comandado pelo nacionalista sérvio Gravilo, tendo transformado o mundo, principalmente o continente europeu e o oeste da Ásia, com a consequente criação de territórios e um mapa muito diferente depois do Armistício, paragem das armas. Neste enquadramento, os chamados Impérios Centrais, Alemão, Austro-Húngaro e o Otomano, fragmentaram-se, assim como o Império Russo, que perdeu um pedaço do território. Surgiram os Estados-Nações, com a vitória do trio composto pela França, Reino Unido e Rússia, desenvolvendo-se então essa que foi a maior alteração geopolítica alguma vez operada no mundo. Como exemplos, surgiu a URSS, a Áustria e a Hungria, a Jugoslávia e a Checoslováquia, a Turquia, a Polónia e a Finlândia, bem como o Iraque, o Líbano e a Jordânia entre outros países. Foram mobilizados 70 milhões de militares, com 9 milhões de mortos, muitos enterrados sem identificação, facto que originou a designação de “o soldado desconhecido”, e 20 milhões de feridos. Pela primeira vez foi usada a aviação em larga escala, tanques de guerra e submarinos, participando nela todo o continente europeu, com exceção da Escandinávia, Países Baixos, Suíça e Espanha. Também o Oriente Médio e a Ásia ficaram de fora. Certamente teria sido possível evitar esta calamidade, como todas as outras provocadas pelos homens, mas muitos líderes não querem saber das consequências. Talvez bastasse conhecer os textos do padre António Vieira, donde extraio estas linhas “É a guerra aquele monstro que se sustenta das fazendas, do sangue, das vidas, e quanto mais come e consome tanto menos se farta… e até Deus, nos templos e nos sacrários não está seguro”…, para travar este tipo de conflitos.

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