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Cem anos

Há um século alguns homens tiveram este sonho. Um sonho de papel. Quero aqui evocar os nomes daqueles que lançaram no tempo um jornal que já dura há tanto e que não quer morrer. Esses nomes que evoco por reconhecimento nestes dias em que vamos atirando com a memória para o esquecimento: António Manuel da Cunha Ferreira (Director), Pedro Augusto Martins (Redactor Principal), José Antunes da Silva Júnior (Administrador), Alexandre Manuel de Queiroz Alva (Editor) e Joaquim Vassalo Mendes (Secretário de Redação).

Queria evocar os nomes de todos aqueles que transportaram ao longo do tempo esta chama. Mas isso não é possível. Foram tantos aqueles que nestas páginas deixaram a sua visão do mundo, o seu saber, as suas preocupações para com Torres Novas e a sua região. Torres Novas pode-se orgulhar deste património, pois raros são os jornais que atingem cem anos de vida.

Não é fácil ser jornal nos tempos que correm. Mas os que hoje escrevem, neste jornal, têm esperança de que é possível resistir e lutar contra a indiferença e o alheamento da leitura. Hoje tudo é urgente e descartável, até as notícias com que somos bombardeados pelas redes sociais. Um jornal, pelo contrário, parece estar fora de moda: não tem pressa.

Apaguemos, então, as cem velas que celebram este aniversário.

Longo é o percurso deste jornal e sinuoso como sinuoso é o rio que lhe dá o nome, Almonda. Quantas vezes lutou por causas justas, quantas se deixou ficar prisioneiro das circunstâncias. Cem anos deixam muitas rugas e cicatrizes. Estamos no tempo e é para o futuro que vamos. Avança, meu velho, pela notícia objectiva, pela opinião plural – voz independente e crítica.

 

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