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A Paz, ou a Guerra?

Celebraram-se por estes dias cem anos sobre o fim da I Guerra Mundial, essa hecatombe que atirou para a morte ou estropiou muitos milhões de pessoas. Um dos erros da Primeira República foi o querer a participação nesta guerra, quase pedir por favor para que deixassem Portugal participar no conflito.

Durante anos os soldados portugueses foram atirados para as trincheiras, atolados na lama, mal armados, mal alimentados, após breve preparação – o chamado milagre de Tancos.

Mas se esta tragédia tivesse servido de lição para a humanidade, para os políticos em particular, ainda podíamos dizer que alguma coisa de positivo se tinha tirado desta hecatombe. Mas não, cerca de vinte anos depois, caíamos na terrível guerra civil de Espanha, mortífera e tão desumana como todas as guerras e que serviu como que de ensaio para o conflito devastador – mais que todos até aí – que veio logo a seguir e que foi a II Guerra Mundial.

Esquecimento do passado? Incapacidade de viver em paz, e o estado natural é a guerra e não a paz? Sabemos hoje, contudo, que a instauração generalizada da democracia trouxe à Europa dos nossos dias muitas décadas de paz. Mas hoje surgem no horizonte muitas ameaças à democracia com o triunfo de regimes populistas, com a chegada ao poder, em certos países europeus, de regimes proto-fascistas. A história ensina-nos que a paz é um bem precário. Saberão os políticos, há pouco, em tão grande número, reunidos em Paris para celebrar o fim da I Guerra Mundial, defender este bem? Há sinais inquietantes que nos devem alertar para as ameaças que impendem sobre o mundo. Sabemos como a insensatez, interesses e pouca sabedoria têm, ao longo da História comprometido a paz e atirado os povos para essa tragédia que é a guerra. Resistirá a Europa ao pesadelo?

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