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Entre o fanatismo e a ignorância

Santo Agostinho dizia que o pecado é uma espécie de ignorância. Notai leitor que as épocas de maior ignorância foram sempre as dos mais horríveis erros e crimes. O ignorante está para a maldade, assim como o escravo para o tirano. Mais ainda: o ignorante supersticioso é governado pelo fanático e acaba por tornar-se fanático também. Basta observar que para um grupo de fanáticos, todos os que pensam diferentemente deles, são ignorantes. Notai que a ignorância não somente desconhece a verdade das coisas, mas também a sua própria ignorância. Os homens de hoje, criados para a técnica e a industrialização, não raramente são persuadidos por esquemas religiosos e políticos baseados no lucro de seus empreendedores. Contra o bom senso tais esquemas surgem com a infame ideia de imaginar uma política e uma religião sem inteligência. Na pós-modernidade, os homens e mulheres fazem voto de ignorância, como se faziam antigamente de castidade, de pobreza e de obediência. Há ignorantes tão inocentes que creem em homens vestidos de terno ou túnica e pensam que Deus perdoará seus crimes porque estes homens lhes banharam em rios, ou imolam para eles um bode preto, ou se sobre eles pronunciam algumas palavras de auto- -ajuda. Não vejo ignorância na religião, nem na política onde encontro um estímulo para a prática das virtudes: aqui, refiro- -me à ignorância que coloca os grandes homens da política e santos da religião no mesmo patamar dos velhacos. Seria melhor, sem dúvida, que as pessoas notassem os homens veneráveis e, sobretudo, que tentassem imitá-los sem adorá-los ou santificá-los. Mas, infelizmente, o que acontece é a imitação dos velhacos e a deificação dos homens virtuosos, o que acaba por provocar mais ignorância e afastar de nós as inteligências. Guardai-vos leitores de prestar atenção nos patifes, cujos únicos méritos foram incitar a ignorância que surge da preguiça de estudar e pensar. Guardaivos de entusiasmarem-se com os homens de fala fácil e promessas difíceis de conceber. Guardai-vos das ações ignorantes, que, como o Brasil, acabam por terem de decidir entre o fanático e o corrupto. Ora, não existe perdão para a ignorância voluntária! E sabem por quê? – Porque Deus também não gosta dos idiotas.

Durval Baranowske, diretor

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