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A passo di gambero

Um passo é sempre um passo. Não é necessariamente mau dar um passo atrás mas, de preferência, devemos caminhar em frente. Esta teoria aplica-se à escala local e mundial. Avançamos ou retrocedemos? As coisas são fáceis de avaliar no ramerrame do dia a dia, pelo menos localmente. O ribeiro da boa água continua como só ele: correndo no verão como nunca corria quando era puro. Correndo sempre durante todo o ano. Nunca com água, chova ou não! Sempre pestilento, nauseabundo, putrefacto. Um cadáver que apodrece à vista de todos.

Esta é a visão do inocento. Do cidadão comum. Do Zé Povinho. Do ponto de vista do industrial será certamente um incentivo à economia, à sua! Do político a possibilidade de responsabilizar sempre uma entidade mais acima! E ribeiro lá vai, direito ao Almonda, que corre prótejo, que só não é o maior Rio de Portugal, porque qualquer ribeiro da minha aldeia consegue ser maior pelo menos se tiver tão boa água. Adiante! Não se bata mais no ceguinho! Qualquer dia estamos todos mortos os que ainda nos lembramos de molhar os pés na água fresca dum ribeiro. E, quando deixar de haver memória, pode ser até normal que um ribeiro seja assim mesmo: morto, cadáver, esqueleto… E ao fim e ao cabo, segundo disse o Sr. Vice-presidente da CM, Torres Novas até é um exemplo nacional no que toca ao sanea- mento e preocupações ambien- tais, esquecendo-se, certamente, que para isso pagamos a taxa do saneamento! Li, recentemente, um livro dum autor que morreu há 4 anos, Humberto Eco. Crónicas, de 2000 a 2005, sobre Itália e o mundo. O autor defendia que, em termos civilizacionais, retrocedemos: crescem conflitos, terrorismo, corrupção, imigração, exclusão…. No que toca ao ambiente nós, torrejanos, somos exemplo! O nome do livro: a passo de caranguejo!

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