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Maçãs e mais maçãs

Outubro tem-se portado bem, apesar de ter mostrado que estamos na transição para a friagem. Uma época para apreciar a natureza e as suas dádivas. Hoje, ficamos pelas maçãs. Um poeta romano já dizia que uma refeição perfeita acabava com uma maçã. Estamos a escrever depois do almoço do Dia de Acção de Graças, cujo peru foi para o forno recheado de maçãs e que concluímos com uma tarte dos mesmos frutos. Tínhamos aberto o repasto com uma salada Waldorf-Astoria, receita que combina maçãs com nozes e aipo. Em inglês, é costume dizer-se que quem come uma maçã por dia livra-se de ir ao médico (an apple a day keeps the doctor away). A maçã não é apenas uma fruta, visto que está associada aos computadores, à Big Apple (cidade de Nova Iorque), à maçã-de-adão e assim por diante. Quanto ao fruto proibido que tentou Eva, ao contrário do que lemos no Génesis, foi talvez um figo ou uma romã. Esse equívoco resulta de um raciocínio sem prova real, pois em latim macieira é “malus” que também significa o mal. Ora bem, se a maçã é mal, ela deve ter sido o fruto proscrito do Éden. Na mesma linha, a maçã-de-adão é assim nomeada por um seu caroço ter supostamente ficado preso na garganta de Adão. Muitas das aparições iniciais do termo maçã não devem ser tomadas ao pé da letra. Parece que até ao século XVII, “apple” (tal como “pomme” em francês”) era um termo genérico para bastantes árvores de fruto. Explica por que o Cântico dos Cânticos implora: “Restaurai-me as forças com tortas de uva, revigorai-me com maçãs”. Isto, embora não as houvesse a crescer no Médio Oriente do Antigo Testamento. Com efeito, são nativas do TianShan, montanhas da Ásia Central, mais precisamente do Cazaquistão. Na semana passada, fomos a uma fazenda onde se pode apanhar as maçãs que escolhemos e que se pagam à saída. O dono do pomar estava feliz, pois houve abundância de maçãs e têm-se vendido bem. As que não se venderem servirão para fazer sidra. Pelo Natal, iremos ver se a cidra artesanal combina com velhoses à moda torrejana.

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