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Coragem e humildade do Papa Francisco

Nestes últimos tempos o Papa Francisco tem enfrentado momentos difíceis. O pico da tempestade parece ter sido durante a visita à Irlanda (25 e 26 de agosto passado). Ia para celebrar o encerramento do Encontro Mundial das Famílias. As circunstâncias, porém, complicaram-se. Uma semana antes da visita, foi confrontado com o relatório da Pensilvânia, onde são denunciados uma quantidade impressionante de casos escandalosos de pedofilia da parte do Clero. Estrategicamente calculada para a mesma altura, a divulgação da carta do Ex-Núncio Viganó a pedir a demissão do Papa Francisco. Quem imaginava tal descaramento?

A serenidade e a atitude firme do Papa Francisco face a esta avalanche de escândalos de pedofilia e o silêncio perante a carta de Viganó, cheia de meias verdades, confusões premeditadas e azedume vingativo, granjearam a admiração de todos os que se preocupam com a reforma da Igreja e a erradicação desta chaga. O Papa Francisco mostrou-se, realmente, um homem de Deus e um líder à altura da tormenta que ameaça a Igreja. Estes casos aumentaram ainda mais a admiração pela humildade e pela força interior do Papa. A tranquilidade e a paz que tem mostrado são uma manifestação clara da confiança em Deus.

Estas notícias negativas acabarão por dar frutos positivos e contribuir para a purificação da Igreja e para a proteção mais cuidada dos menores. Não foi apenas por palavras que o Papa reagiu mas também por factos e iniciativas. Lembremos algumas:

A Carta ao Povo de Deus onde pede um envolvimento de todos aos fiéis da Igreja na transformação da situação social e eclesial. Na visita à Irlanda encontrou-se com oito das vítimas. Em quatro das seis intervenções que fez neste país, em quatro delas referiu-se a estes escândalos e pediu perdão pelos pecados da Igreja.

A coragem de denunciar publicamente e assumir pecados de abusadores do passado mostra a grande humildade e responsabilidade do Papa Francisco. A mesma humildade e coragem ficou patente perante os bispos do Chile. A início, por estar mal informado, defendeu os que eram acusados de abusos ou de encobrimento. Quando tomou conhecimento da realidade dos factos, chamou e ouviu as vítimas e foi de grande rigor e firmeza. Convocou a Roma os bispos deste país e entregou-lhes uma carta onde denunciava o abuso do poder e da consciência. Sete tiveram de deixar o governo das respetivas dioceses. Quando teve informações seguras sobre o cardeal de Nova York retirou-lhe o título, a primeira vez que tal aconteceu. Marcou ainda uma cimeira, para fevereiro próximo, com todos os presidentes das Conferências Episcopais. Os resultados desta firmeza começam a ser visíveis. A diminuição dos casos de pedofilia na Igreja é um facto. Na Pensilvânia deram-se apenas dois casos desde 2002. A diminuição terá de chegar à extinção total. Ao “nunca mais”.
Coragem

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