Os beija-flores

Este título foi-me sugerido pelo comportamento de muitos jovens ou menos jovens em relação àquilo que antigamente se chamava “casamento” e hoje se chama “ajuntamento”. Não confundir com a mesma palavra em castelhano que quer dizer “Câmara municipal.”

De facto, voltando ao título desta crónica, o beija-flor é uma ave muito pequenina da América do sul, que também se chama “colibri” e que voa de flor em flor para sugar o seu suco.

Os rapazes e as raparigas modernas, quando chegam àquela idade das paixões de fogo, logo começam a dança do colibri ou do beija-flor: hoje poisa num ou numa, amanhã poisam noutra sempre na ilusão de apaziguarem a sua paixão. Confundem amor com paixão, confundem amor com sexo, porque as hormonas lhes pregam partidas que os obrigam a dar com os burrinhos na água, como diz o ditado popular.

A paixão é tão violenta que logo juntam os trapinhos e, muitas vezes fazem logo um menino ou uma menina. Mas de repente, o Cupido maroto, na convivência diária com os seus pares, acham uma ou um mais bonito e a paixão logo renasce qual Fénix. E aí o beija- flor masculino ou feminino parte para outra porque a paixão explodiu num raio que provocou estrondo. Talvez daí nasça um novo rebento ou não, mas o certo é que de flor em flor, tudo aquilo que era fidelidade, amor, honestidade, desapareceu como por encanto.

Muitas vezes alguns e algumas perguntam: “O que é isso?”. É que esses e essas beija-flores, quando julgaram sugar o suco daquela flor tão vistosa, verificam que se enganaram e o sabor sai muito amargo. Mas a natureza é muito traiçoeira e as flores cada vez mais vistosas continuam a enganar os incautos e as aventuras vão-se repetindo porque os jovens e as jovens perderam a memória. É que os colibris ou beija-flores nem são egoístas e voam de flor em flor onde as cores os atraem e um mesmo pássaro pode, sem inveja dos outros sugar qualquer flor. Que me desculpem os jovens que por acaso lerem esta crónica porque sempre quis contribuir para uma juventude feliz mas não cega e por isso tinha todo o prazer em ensiná-la nas escolas onde dei aulas.

Mas vós sabeis que a verdadeira felicidade não se compadece com visões do paraíso perdido nem com as falácias duma civilização que vos mostra um mundo de facilidades que no final vos saem bem amargas. Vós sois os colibris mas procurai sempre a flor mais vistosa mas também aquela que vos dará o suco mais doce, durante mais tempo, quer sejam flores masculinas ou femininas. Que o casar ou “ajuntar” não sejam o motivo da vossa infelicidade!

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