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“Abandonado”

Por: Fábio Carvalho

Há poucos dias estava a ver num canal de televisão científico um programa chamado “Abandonado”. Este programa visita alguns dos locais que outrora foram importantes na história americana e que não há muitos anos fervilhavam de gente. Construções do homem que por diversos motivos, por rações económicas, por falta de zelo humano ou por culpa da natureza, estão hoje ao abandono. São mega escolas abandonadas, centros comerciais, parques de diversões, estradas nacionais. Todas estas construções foram criadas com visão no futuro, no progresso. Mas foi esse progresso que as deixou chegar ao estado em questão. Todas elas assim neste estado, representam muitos perigos, entre elas um perigo para a saúde pública. Um perigo para todos nós. Deixar estes edifícios ao abandono, com péssimas condições higiénicas, vai ajudar na proliferação de doenças e epidemias. Todos estes locais têm atraído também toxicodependentes e criminosos, acarretando medo aos moradores e trabalhadores dessas regiões. Não é um edifício mas foi criado com ajuda da intervenção humana.

O Lago Salton é a maior massa de água da Califórnia, nos Estados Unidos. Um Lago com quase 1000 km quadrados no meio do deserto. Há poucas décadas estava em expansão. Era um paraíso turístico, uma capital recreativa como lhe chamavam. Chamaram-lhe o milagre do deserto mais foi criado por um grande erro. Em 1905 um canal de irrigação agrícola era construído. Abriram em demasia as margens do rio que passou dois anos a verter água. O Lago devia ter evaporado, mas o escoamento agrícola preservou-o. Construtores viram uma oportunidade para uma estância turística, e resultou, pois atraiu milhões de turistas. Mas os problemas vieram depois. O Lago tornou-se cada vez mais salgado e poluído, seguiram-se florações algais e mortes de peixes. O Lago encolhe cada vez mais e há tempestades de poeiras tóxicas. As catástrofes tropicais são frequentes.

As tempestades que atingiram a região no final dos anos 70 causaram a destruição e reduziram a comunidade de pelicanos. Em suma um desastre ambiental num país chamado Estados Unidos. Os poucos moradores que restam, e os moradores das cidades vizinhas vivem preocupados. Muitas das comunidades queixam-se da qualidade do ar, por culpa das tais poeiras tóxicas que são libertadas cada vez mais. A poeira do leito do lago tem levado ao aumento dos casos de asma e de outras doenças respiratórias, numa região onde a qualidade do ar já se situava abaixo dos níveis aceitáveis. As pessoas com asma têm dificuldade em respirar. A maioria das pessoas que ali vivem têm rendimentos baixos, não podem fugir dali.

Se o Lago continuar a secar, esta poeira tóxica levada pelo vento vai afetar mais cidades podendo chegar à grande cidade de Los Angeles. Dizem os locais com grande preocupação que talvez só até isso acontecer que se vão realmente preocupar com a tragédia ambiental que ali acontece. “Ai vão querer saber, e desejar que o Lago Salton volte”, diz uma jovem moradora preocupada com o futuro. “Gastamos tanto dinheiro numa bomba que verifica quem é antes de explodir, porque não gastamos dinheiro para preservar o país? Preservar uma paisagem destas para as gerações futuras”, pergunta um outro morador. Resolver a questão do Lago Salton não é fácil e vai ter de envolver muito dinheiro. O governo da Califórnia tem planos para resolver ou minimizar o problema, mas este teima em não ficar resolvido. O homem continua a não perceber que não há dinheiro que pague a nossa vida e a saúde de todos nós. O nosso mundo, a nossa terra não tem nem devia ter valor monetário. Cada vez que construimos uma casa, um centro comercial estamos a destruir um pouco da natureza da nossa terra. Podemos construir, mas se preservarmos e zelarmos por aqueles espaços, estamos a zelar também pelo futuro de todos nós.

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