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Portugal, África e Brasil

Quando o Velho do Restelo, em “Os Lusíadas”, Canto IV, estupefacto e triste, reprova a saída das naus a caminho do descobrimento da Índia, lá tão longe, nunca pensou, nem ele nem o rei D. Manuel I, o venturoso, nem sequer os nobres e políticos do reino imaginavam que o país, com tão pouca gente, pudesse colocar a língua portuguesa do século XXI, a comunicar com tão vasto mundo, e a estabelecer negócios e parcerias.

De facto, olhando agora para aquele ano de 1498, dir-se-ia como o país era “pequenino” e a Europa estava adormecida, para não falar também do resto do mundo. É claro que não é fácil colocarmo-nos nesses tempos idos e não vividos, em que as limitações eram de toda a ordem, e a vida era mais para mourejar uma côdea de pão para a boca.

Por isso comparar, como já se tem feito, os Descobrimentos Portugueses com as viagens ao espaço, nomeadamente a ida à lua, é apor dois extremos nada comparáveis.

Pelo exposto muita gente afirma que o nosso país integra a União Europeia mas nunca poderá deixar de ter uma mão em África e outra no Brasil. Dizia-me alguém há dias que nos faltam as grandes ligações marítimas, com periodicidade muito mais curta.

Gostei, por outro lado, de ver que o entendimento com Angola tem o caminho aberto porque há muito para trabalhar ainda, e porque são múltiplos os interesses comuns aos dois países, muitas empresas portuguesas em Angola, muito dinheiro que faz falta aos dois lados.

Os países cada vez mais têm de trabalhar em conjunto nos mais diversos temas, diria mesmo que nunca como hoje a política foi tão interdependente, sem fronteiras, essas que os homens de quinhentos derrubaram.

Continuo, portanto, a não entender o Brexit, muito menos o governo inglês quanto a esta matéria.

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