1922 – Ano Eleitoral

As eleições legislativas, para a Assembleia dos Deputados e para o Senado, após algumas mudanças de data, realizaram-se em 29 de Janeiro, dando uma vitória ao Partido Democrático. Mas, se o partido democrático vence a nível nacional, o que leva à demissão de Cunha Leal e à formação dum governo democrático, presidido por Antó- nio Maria da Silva (6/2/1922- -15/11/1923). Tais resultados não acontecem em diversos círculos, entre eles o n.º 26, de Tomar, onde se inseria o concelho de Torres Novas, em que as maiorias pertencem ao partido liberal (3), as minoras ao democrático (1). Os católicos, representados pelo notário Alberto Dinis da Fonseca, não conseguem a votação necessária, criticando à posteriori o candidato a aliança entre liberais e democráticos para a partilha de votos, o que o deixou a escassa distância da eleição (O Almonda n.º 133, 5/2/1922).

Verifica-se no concelho uma vitória do candidato católico, ficando em segundo o vencedor do círculo, Dr. Francisco Cruz, candidato do partido liberal, cu- jo presidente concelhio era o Dr. João Martins de Azevedo, natural da Lamarosa e presidente do município (Idem, nº 134, 12/2). O partido democrático, representado por Damas e Ribeiro, mostra que, exceptuando os centros eleitorais urbanos, vê diminuída a sua importância nas freguesias essencialmente rurais. Curiosa, mas não cabe, pela extensão, no espaço deste artigo   a resposta do Dr. Martins de Azevedo à acusação de alianças no círculo dos liberais com os democráticos, denunciando os contactos prévios tidos entre ele e o candidato católico, que só não fez parte da lista pelas exigências que desejava incluir no programa (Id, n.º 136, 26/2/192). Todavia, tais dissidências não se colocam, em Novembro, para as eleições camarárias e Junta geral do Distrito, em que as maiorias apresentam listas conjuntas de liberais e católicos e as minorias dos democratas (Idem, n.º 173, 12/11). Não se conhecem, infelizmente, os resultados eleitorais, sabendo-se, no entanto que a vitória para ambos os órgãos pertenceu às maiorias (Idem, n.º 175, 26/11). Para o executivo camarário são eleitos, o Dr. João Martins de Azevedo, Luís de Albuquerque, Padre Nunes Ferreira, Neves da Costa (Entroncamento) e pelas minorias José António Júnior (id, ibid, 26/11). Para a Junta Geral do Distrito, seguem os católicos Dr. Alberto e Dr. Carlos Mendes. Neste próprio número, sai a informação de a diferença de votos entre maiorias e minorias não foi muito grande, mas a legislação proporciona à lista liberal católica, a maioria, que, por sua vez, cede à lista da minoria a presidência da Câmara Municipal (órgão deliberativo que elege o executivo camarário) onde permanece o democrata Dr. Augusto Lopes Mendes da Silva. Verifica-se o mesmo no último acto eleitoral do ano, para as juntas de freguesia, também sem elementos concretos (deverão ser procurados no Arquivo Distrital, nos oporá à forçada eleição ser validada, o grupo republicano local Governo Civil, ou nos do ministério do interior). Mas o ofício do administrador do concelho Dr. António Pinto de Magalhães e Almeida é esclarecedor: «Tenho a honra de comunicar a V. Ex.ª que o resultado das eleições das juntas de freguesia neste concelho foi o seguinte: Em sete freguesias, compreendendo nelas três com sede na vila, venceram as maiorias das listas democráticas e as mino- rias as católicas. São elas: Santiago, Santa Maria, Salvador (vila), Lapas, Ribeira Branca, Lapas e Brogueira. Em outras sete – S. Pedro (vila), Assentis, Olaia, Paço, Parceiros de Igreja, Alcorochel e Chancelaria, as maiorias foram católicas e as minorias democráticas. Não se procedeu a eleições na Zibreira, sendo-me enviados os cadernos eleitorais em branco. Na acta da eleição da Chancelaria há protestos. E informam-me que no caso da eleição ser validada, o grupo republicano local se oporá à posse da junta eleita, ainda que para tanto seja preciso empregar a força». (Cor. Adm. c/ G. Civil, Copiador 1610, n.º 89, fls. 484). Divisões que representam os interesses de classe concelhios, que se encontrarão cinquenta anos depois, nas eleições autárquicas da democracia, numa demonstração de que a mentalidade das populações sustentam-se de influências de longa duração, sobrevivendo ao período do fascismo, entre 1926 e 1974.

 

 

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