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Horizontes fechados?

Vários estados da Europa têm vindo a criar restrições ao funcionamento de estabelecimentos comerciais ao domingo. Não será uma tentativa serôdia e inútil para proteger a vida familiar, o convívio e a relação entre pessoas, quando muito factores concorrem para desagregar a vida e gerar individualismo? A organização do mundo do trabalho com horários sem princípio nem fim, com a possibilidade do trabalhador ser convocado em tempo de repouso e a qualquer hora, não traz à vida humana estabilidade e equilíbrio. E não é só esta organização do trabalho, nova escravatura, que está a envenenar as relações humanas e a desagregar a vida: as novas tecnologias da comunicação, – para além de tudo o que de positivo trouxeram à História – criando a ilusão de estarem a estabelecer contacto e a criar laços, produzem um ser humano cada vez mais fechado em si mesmo, centrado e aprisionado pelo fascínio do écran.

Passeemo-nos pelo jardim, vamos ao café, viajemos de comboio. Em qualquer lugar o indivíduo está sujeito à tirania do telemóvel, enredado nos laços da internet.

E assim vai a vida, fragmentada, na dependência absoluta da comunicação, com a ilusão de estar em permanente “contacto”, mas em que o homem está mais isolado e mais sozinho. Não sei se haverá solução para este enredamento em que nos encontramos.

Talvez este mal tenha cura, talvez este sentimento de cansaço e de fragmentação da humanidade do homem encontre um ponto de libertação, a partir duma conciliação ecológica global com a vida e com a natureza, numa luta em que o homem se liberte da teia de ilusão e de interesses que neste tempo o aprisionam e o negam. Vamos ser optimistas: os horizontes não estão fechados.

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