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O velho do Restelo

Mas um velho, d’aspeito venerando,

Que ficava nas praias, entre a gente,

Postos em nós os olhos, meneando

Três vezes a cabeça descontente (…)

Ó glória de mandar!

Ó vã cobiça Desta vaidade a quem chamamos Fama!

 

Torres Novas, onde vivo, por opção não por nascimento, tem muitos motivos de orgulho. Ambientalmente é um território dividido por três unidades paisagísticas bem diferenciadas: lezíria, bairro e serra. Alarga-se em três áreas protegidas: monumento, parque e reserva natural também reserva da biosfera. Estas características naturais identificam-nos, são uma característica diferenciadora, mas estão votados ao esquecimento. Numa visão simplista, pois não se esgotam nestes temas, poderíamos dizer que a Golegã tem cavalos, Entroncamento comboios, Ourém tem Fátima, Tomar templários, Santarém gótico, Alcanena couro. E Torres Novas? Estamos, conforme nos dizem, numa situação privilegiada geograficamente mas que somos verdadeiramente? Um concelho industrial? Agrícola? De serviços? Turisticamente não sabemos ou não queremos, aproveitar as nossas potencialidades ambientais e apesar das festas frequentes – com passas e bolos se enganam os tolos – tornamo-nos um concelho sem identidade e sem rumo. Enquanto os concelhos vizinhos desenvolvem projetos e demonstram, melhor ou pior, que caminham em determinado sentido. Por isso lhe lanço um repto, Sr. Presidente, com todo o respeito que merece enquanto pessoa e chefe dum executivo que foi democraticamente eleito com uma maioria inegável: demonstre ser um Gama e não o capitão duma Nau Catrineta qualquer à deriva com esperança de avistar terra, seja ela qual for! E se acha que este desafio não é próprio de um cidadão que se orgulha de ser Torrejano prove que estou enganado e que não passo afinal, embora sem o aspeto venerando, dum velho do restelo.

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