Home > Saúde > De médicos (veterinários) e loucos, todos temos um pouco

De médicos (veterinários) e loucos, todos temos um pouco

Nova lei do abate

À medida que a data se aproxima, a mediatização do caso vai crescendo. Diariamente nos entram notícias em casa, mais ou menos sensacionalistas, mais ou menos tendenciosas, sobre a “nova” lei, aprovada em 2016 que proíbe o abate em canis por motivos de sobrepopulação, sobrelotação, económicos, ou outros que impeçam a normal detenção do animal pelo seu dono. Na mesma sequência destas notícias, leem-se títulos como “médicos veterinários consideram que fim do abate dos canis será uma desgraça” ou “médicos veterinários contra o fim do abate nos canis”. Ora, os mesmos que ocupam anos e anos das suas vidas, que dedicam as horas dos jantares em família, dos fins de semana, a estudar para salvar vidas, são, aparentemente, os que mais se manifestam contra esta lei de “proteção animal”. Parece que escapa aqui qualquer coisa… Nesta questão, não podemos limitar-nos a analisar o estádio último do problema, o abandono de animais. Porque, se formos apenas legislar o que fazer aos animais abandonados, já estamos a errar. É por isto que a classe médico veterinária, no geral, se tem vindo a debater, mas não é isto que interessa divulgar. Vejamos: de que serve criar regras para o que fazer a um animal abandonado, se, efetivamente, os animais continuarem a ser abandonados? Vamos acabar com o abate nos canis? Vamos, sim, caro Portugal! Em alguns pontos do país, esta já é uma prática instalada, como no nosso concelho, em que a política preconizada desde a fundação do canil se traduz na educação social e na estimulação da adoção. Vamos alargá-la a todo o país? Vamos embora! Mas começamos a casa pelos seus alicerces: educação! Trabalhar massivamente na educação, trabalhar massivamente na prevenção do abandono! Criemos grupos de trabalho multidisciplinares, avaliemos o que leva alguém a abandonar um animal! Serão as elevadas contas no veterinário? Acontece que nenhum veterinário, espero não chocar ninguém, paga as suas contas com amor. Acontece também que os cuidados médico-veterinários são os únicos da área da saúde taxados com IVA a 23%, mesmo os legalmente obrigatórios. Interessa mudar isso? Talvez não, tal como não interessa ouvir a Ordem dos Médicos Veterinários a propósito deste tema, já que nem sequer foi consultada na redação desta lei. Serão as reproduções indesejadas? Serão as vendas online de animais em sites de classificados, resultantes de criações de fundo de escada, em que nem sequer os progenitores são testados para a presença das doenças mais prevalentes das raças e as crias lindas em bebés são um poço de problemas em adultos? Serão as pessoas que compram nesses sites? Concordo com a imposição da esterilização dos animais que saem dos canis, mas, e os que supostamente têm um detentor responsável, que só quer fazer uma criaçãozinha para que a sua cadelinha sinta as alegrias da maternidade? Por favor, se gostam de animais, não os antropomorfizem! Cães são, por natureza, cães; e gatos, são, por natureza, gatos. E assim por diante. Não querem saber se um dia vão gozar a maternidade ou paternidade, só querem saber das hormonas que apertam com o cio. Vamos acabar com o abate nos canis? Vamos, sim senhor! E isso começa com a responsabilidade de cada um. É criador certificado de animais? Não? Então não se preocupe em arranjar um namorado giro para a Lili só porque sim. Esterilize-a. Quer um Bichon, mas não tem dinheiro para comprar a um criador certificado? Esqueça o OLX e adote um animal, não há animal mais grato que um adotado. Sobretudo, sejamos coerentes. Fim do abate, sim. E do abandono, também.

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *