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Sobre Francisco e Jorge

O segundo conclave do século XXI teve como assunto a imagem da Igreja Católica Romana num mundo pós-moderno: eletronicamente globalizado, mediaticamente tecnificado, eticamente informatizado, religiosamente secularizado, politicamente esfacelado. Sobre o que se havia de tratar, era da profissão dos conselheiros. O assunto era de religião; e eles eram sacerdotes. O assunto era de fé; e eles eram teólogos. O assunto era como salvar a Igreja; e eles eram versados nas Escrituras. Enfim, a matéria era de caráter moral, a pedofilia, mas eles optaram pelo marketing? A 13 de março de 2013 da nossa era pós-moderna cristã, Jorge Mario Bergoglio foi eleito Papa. Argentino de ascendência italiana, jesuíta de formação, arcebispo de Buenos Aires. Ele foi o primeiro Papa latino-americano, o único jesuíta e o primeiro Papa a adotar o nome de Francisco. Alguns dizem que ele o fez para homenagear São Francisco de Assis, outros, para adular os culpados pela decadência da Igreja, sem medir os prejuízos da memória de São Francisco de Assis (mesmo porque a memória dos outros Franciscos não são tão caras). A opinião pública do mundo considera o gesto do conclave que fez de Jorge, Francisco, um sonho realizado. Outros, porém, um golpe de marketing para distanciar a imagem da igreja dos crimes de pedofilia. Pouca gente sabe, entretanto, que São Francisco de Assis foi expulso da igreja pelas mãos e bocas dos seus próprios seguidores, que inseridos num projeto de intelectualidade e acúmulo, observaram em Francisco um peso a ser extirpado. São Francisco, humilde e pobre, nunca aceitou ser sacerdote, como aceitaria ser Papa? Viveu em completa pobreza, sempre tranquilo, mas tantas perseguições de que foi alvo fizeram com que seu nome fosse conhecido. E por isso quiseram atraí-lo para missões no Oriente. E ele foi. Voltou com esperanças, mas ao chegar a Assis encontrou-se com a solidão. Foi expulso da ordem que fundou e abandonado pela igreja que tanto amou. Por fim, em virtude dos maus-tratos, já cego, morreu prematuramente em Assis, perto de sábios, seus frades e sem cuidados médicos. O Vaticano, que viu tantos papas, tanta tirania e moleza, agora, dizem ter dado um golpe de marketing para encobrir os escândalos criminosos dos seus ministros pedófilos. Contudo, se isso for verdade, esse gesto, pode pôr a perder a memória mais sublime de um personagem histórico de primeira grandeza, Francisco de Assis, um património moral da humanidade. É muito singular a história de Jorge Mario Bergoglio, que nunca, deveras, seguiu São Francisco. É de lastimar que um grupo de cardeais ávidos de fama e poder, mas de almas tão amáveis, tão honestas, tão caridosas, tão castas… não tenham conhecido outra maneira para combater a pedofilia, senão expondo tão perigosamente a memória de São Francisco, cuja simples exposição é um marketing capaz de persuadir as ovelhas mais experientes. Sobre Bergoglio não falo mais, pois acarretaria discussões muito longas. Já é bastante perceber que para salvar a igreja, seus infalíveis aliados preferem falar, falar, falar, falar, como as bacantes que fazem dormir… enquanto crianças são violentadas. Um consolo para um espírito limitado como o meu é ficar persuadido de que ao cruzar o rio dos mortos, Bergoglio, não se engane como o povo e chegue a mudar suas atitudes, para não ouvir da barca de Carontes, das profundezas: – “Eis Jorge, o Papa marketeiro, que se passou por Francisco de Assis para perder crianças”. à

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