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Fim de verão, prelúdio de outono

Para a maioria de nós, acabaram-se as férias. Os autocarros escolares, todos de amarelo pintados, começaram a conduzir as crianças da vizinhança. Há dias, reparámos que famílias inteiras tinham regressado com malas cheias de boas resoluções. Com efeito, em Setembro, o outono estabelece-se. Aproxima-se o que F. Scott Fitzgerald caracteriza da seguinte forma: “altura do ano em que paira no ar o fumo azul da queima das folhas secas e o vento deixa hirta nas cordas a roupa estendida a secar”. Na região onde vivemos, quando o verão está a terminar e começa a cheirar a outono, a época é de esplendor. Na caminhada matinal pelas margens do rio, mal nascido o sol, deslumbra-nos uma garça azul solitária levantando voo devagar com a sua imagem a dissolver-se na névoa cinzenta. Um bando de gansos selvagens passa quase a rasar o tecto de uma casa. Vão para o sul. Pela manhã, bosques e prados já se embrulham em véus de neblina e a natureza muda de semblante. Contudo, é pela tarde que gostamos de aproveitar as temperaturas amenas que ainda se fazem sentir e, no jardim, lemos o jornal, um bom livro ou vemos algum vídeo de interesse. Por exemplo: um diário contava que muitas estátuas de Estaline estavam à venda nos ex-países comunistas e até no eBay. Um austríaco comprou uma ao município checo de Litomerice e agora pede 119 mil dólares por ela. Por curiosidade, trouxemos da biblioteca a biografia da filha do ditador soviético e um filme de 2017, uma comédia sobre este déspota comparável a Hitler. Voltaremos ao filme. Com folhas a girarem em viravoltas no chão, parecendo confetti de cor flamejante, e noites escuras como breu, tivemos a ideia de acender a lareira no fim-de-semana, não para nos aquecer, mas para que pudéssemos rever o reconfortante brilho das chamas. Tal como os países do Leste europeu retiraram estas estátuas das suas praças e edifícios, também nós temos passado muitas horas a cortar as heras que teimam em trepar pela parede do extremo norte da casa. O que parecia bonito e útil, transformou-se numa maçada. É com curiosidade que acompanhamos o esmorecimento da vegetação. A antecipação do espectáculo das cores do outono é um lenitivo para o adeus do verão.

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