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Pontes

“logo pela manhã vem

O aconchego terno

Do velho xaile de lã

A ponte é uma passagem

P’rá outra margem…”

E volta a ecoar na minha cabeça … a ponte é uma passagem p’ra outra margem. Desde que me conheço, que conheço e passo a redundância, este bocadinho de tema dos Jáfumega. E não deixa de ser curioso! Sempre vi as pontes, exactamente como passagens… que uniam “Coisas e Cenas” que se complementavam mas que saiba-se lá porquê, estavam separadas. A maior parte das vezes tão perto, contudo tão longe. Neste emaranhado de pensamentos dou por mim a meio da travessia de uma das bonitas pontes que temos no nosso país e que apesar do seu nome de batismo ser Ponte Salazar, em honra ao Presidente do Conselho de Ministros do governo ditatorial do Estado Novo, a sua designação legal no papel, manteve-se Ponte Sobre o Tejo. Anos mais tarde, no dia 5 de Outubro de 1974, o seu nome é alterado para Ponte 25 de Abril. Salazar, que se opusera firmemente ao nome original (Ponte Salazar) tinha já afirmado como que em forma de profecia: “O meu nome ainda há de ser retirado da ponte”. E constato para comigo mesma, que a imensidão que o olhar alcança aqui de cima, me consegue surpreender sempre! Contemplo o mais que posso sem deixar que isso afecte a minha condução e desejo permanecer ali mais tempo, mas… hoje, e só para chatear, não há fila no tabuleiro. Afinal há alturas na nossa vida em que nos apetece permanecer em locais de passagem! Ou, talvez… esses designados locais de passagem não sejam assim tão de passagem como nos fazem crer! Por vezes, julgamos estar a “fazer a ponte” entre o passado e o futuro e afinal de contas não estamos a fazer, nada mais nada menos, do que a VIVER O NOSSO PRESENTE. E é o que temos de mais valioso! O PRESENTE. O passado tal como nome indica já foi e nada podemos alterar. O futuro é a projeção dos nossos sonhos e desejos. Pura ilusão! Poderá chegar ou não. O que temos garantido é o AQUI E O AGORA. Saibamos AGRADECER E VIVER este nosso tempo, de preferência com o aconchego do terno xaile de lã e não nos esqueçamos que TUDO ISTO EXISTE, TUDO ISTO É TRISTE (e eu SOU TÃO MIMOCAS!) TUDO ISTO SÃO COISAS e CENAS & CENAS e COISAS.

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