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Uma espera interminável

Boa noite. São neste momento 23h41m do dia 2 de setembro. Na rua corre uma leve aragem fresca. No interior dos meus aposentos sente-se um calor infernal. Tivemos de fechar as janelas. Mal conseguimos respirar. Os nervos acumulam-se e será mais uma noite de insónia devido ao cheiro pestilento da fossa frente ao meu quintal. Informaram-me que quando andaram a construir a estação elevatória não retiraram a água toda e agora deu nisto. Ficar parada não obrigado. Um e-mail à Delegada de Saúde, outro à empresa Águas do Ribatejo e uma presença numa reunião camarária. Expus a situação que é de risco e um caso de saúde pública, se bem que estou na luta sozinha. Os meus ricos vizinhos, como não é à sua porta estão pouco interessados. Quando sentem o mau cheiro vêm ver e pouco mais. Não há união. Criticam, mas dar a cara é que custa muito, não há tempo. Estão sempre à espera que haja alguém que faça o trabalho de campo que deveria ser deles também. Não importa. Não vou baixar os braços. Sou um osso duro de roer e uma mulher difícil de vergar. Não gosto que gozem com a minha cara ou que atirem palavras para o ar como se eu fosse estúpida. Enganam-se. Na dita reunião foi-me dito
através do senhor Presidente da Câmara desta cidade que dia 6 de setembro iria estar presente numa reunião em Salvaterra de Magos com a administração das Águas do Ribatejo para ver o que se poderá fazer. Podem dizer que já faltou mais, mas é mais uma semana a respirarmos este ar nojento que entope os nossos pulmões e nos trará doenças. Durante o início da semana passada vieram uns senhores da parte das Águas do Ribatejo a dizerem que vinham tratar do assunto antes do fim de semana. Nesse dia sentiram o mau cheiro. Infelizmente ninguém apareceu. Continuarei a lutar, a bater a todas as portas. Alguém me ajudará. Tenho esperança, mas já não acredito em milagres. Nunca gostei de política e agora muito menos. Gosto de homens e mulheres trabalhadores, honestos e com braço de ferro.
Não gostei da reunião camarária. Pouco público e tantos problemas para serem falados, mas às 15 horas a maioria das pessoas está a trabalhar e os reformados têm dificuldade em subir a ladeira até à Câmara Municipal. Assim se resolvem os assuntos. O cidadão não tem o direito de dar opinião perante a assembleia. Sente-se o marasmo das frases interrompidas por pausas sem nexo. A oposição sacode a sonolência. Termino. Já sei que quando lerem este artigo a minha cabeça estará de novo a prémio. Já me habituei a ser o calcanhar de Aquiles de alguns pés chatos. Haja saúde e eu quero continuar a sobreviver nesta batalha que outrora quase me derrubou. E quando estamos no buraco é que damos valor à vida e por isso serei sempre uma lutadora das causas justas.

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