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Que venha o Outono

O Verão está a despedir-se. Este Verão que nos sufocou, dias e dias, com um calor insuportável. Agora com as temperaturas mais baixas, dizem, a época dos incêndios chega ao fim. Até já há uma época de incêndios. E continuará a haver devido às mudanças climáticas, ao erro humano, e porque há uma indústria do fogo que dá de comer a muita gente. Mais uma vez, depois da tragédia do ano anterior; depois do feno cortado, do mato roçado, dos avisos da Protecção Civil, o fogo continuou a destruir a natureza e o património, sitiou vidas e povoações. Mesmo que a natureza se renove, o que foi destruído é irrecuperável. Agora o calor parece abrandar. Há já uma janela virada para o Outono e temos aí o tempo das vindimas mais manso, mais apaziguador. O que não se apazigua nunca são os muitos conflitos que atormentam este mundo provocando morte, destruição. Levantam-se vozes reclamando contra a violência e a crueldade humana. Uma dessas vozes é a do Papa Francisco. Ele próprio enfrentando um conflito provocado por aqueles que contestam as suas reformas que vão contra os privilégios de alguns. É estranho que um homem que tantas vezes tem levantado a voz a pedir paz, se veja envolvido num conflito provocado por alguns daqueles que o rodeiam. Ele incomoda porque recusa o poder tradicional e perturba os que se sentaram na cadeira dos privilégios. Estamos assim a assistir ao fim de um Verão esquisito, por muitos motivos. Então que venha uma nova estação e, renovadora, traga a esperança de tempos mais calmos e apaziguadores. E que as primeiras chuvas purifiquem o ar de infindos miasmas poluidores.

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