Home > Crónicas > A hora mágica

A hora mágica

Perto de uma hora de viagem, de Torres Novas a S. Martinho, pelo final do dia. Entro na Serra em Moitas Venda contornando o castro de Stª Marta. Passo o labirinto de muros com algumas casinhas cobertas de lajes sem argamassa. A paisagem está viva porque o gado e a apanha da azeitona continuam a ser economicamente viáveis. Na Serra da Stº António, os dois livros no brasão, atestam a importância da escola implementada pelo par de frades que aqui se refugiaram. Subo mais, o sol vai descendo no horizonte. Um ou outro núcleo de sobreiros, moitas de azinheiras, matos que abafam o olival. Lá em baixo o polje à face de Minde e de Mira de Aire, na base do planalto de São Mamede. Desço a Alvados com o seu casario disperso no carvalhal. Atravesso a pequena planície, entre a Pena da Falsa e a Fórnea, o café da Bica junto ao rio Alcaide. No Livramento salto bruscamente ao sopé da serra, passando Porto de Mós e o seu alcaide numa magnífica escultura. O sol desaparece por detrás dos montes. Corredoura, Cruz da Légua, com o seu barro e uma magnífica pinheira. Aljubarrota: Brites de Almeida perpetuada numa figura esguia, nada como a descreve Alexandre Herculano a figura forte do Condestável. Alcobaça e o seu abade tranquilo. Subo e desço. Começam os pomares que dão justa fama à região. O dia vai escurecendo e a noite insinua-se. Cumeira de Cima, Cumeira de Baixo, Facho. Antes de Alfeizerão, terra do célebre pão-de-ló, servido à rainha que chegou cedo demais, vê-se, finalmente, a baía. Acelero na esperança de avistar ainda o pôr-do-sol sobre o oceano. Navego até ao cruzeiro. Sobre a serra, a lua, sorridente e bonacheirona, é um enorme disco amarelo; sobre o mar o horizonte purpurino. O tempo fica suspenso, já noite na serra ainda dia sobre o mar, numa hora mágica.

Deixe-nos o seu comentário pelo facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *